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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

22
Mar19

Cidade de Chaves - Capela da Lapa

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Hoje em imagem fica uma das nossas capelas flavienses, a capela da Lapa, por sinal bem interessante, vistosa, bem acompanhada no que respeita ao espaço envolvente e em pleno centro da cidade, só é pena destinar-se aos fins a que a destinam, de “casa mortuária”, sem o mínimo de condições e dignidade,  e até de respeito por quem nos deixa mas também pelos seus familiares e amigos, em suma, pelos flavienses que querem velar os seus mortos.   

 

Já é mais que tempo de a CIDADE de Chaves ter uma casa mortuária.

 

 

 

20
Mar19

Viva o equinócio de março!

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Para quem não sabe, hoje, dia 20 de março de 2019, às 21H58, a astronomia diz-nos que vai acontecer um dos dois EQUINÓCIOS do ano, que acontecem sempre no mês de março e setembro. E o que é um equinócio!?, ora, recuando no tempo e indo à origem da palavra, ao latim, temos Aequus que significa “igual” e nox, que significa “noite”, ou seja, um equinócio acontece quando o dia é igual à noite, 12 horas de cada, e blá,blá,blá,blá, esta foi para o armanço, e faz-me lembrar aquela do outro que diz pro outro: “ Diz três vezes um carro preto com uma capota verde” e o outro disse: “um carro preto com uma capota verde, um carro preto com uma capota verde, um carro preto com uma capota verde”. E o outro disse: “Eia tanto palavreado para dizer 3 táxis”.  Pois eu estava quase na mesmo, pois o que queria simplesmente dizer é que hoje, entra a PRIMAVERA, o tal equinócio de março.

 

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E claro que tinha de trazer aqui flores, mas aliadas a um pouco do melhor que temos. As imagens são do dia do equinócio-1=ontem, ou seja, de ontem, último dia de inverno deste ano. Estas coisas do tempo são curiosas e levam a que o último dia aconteça antes do primeiro, pois ontem foi o último dia de inverno e o primeiro dia só irá acontecer no dia 21 de dezembro, com o solstício de inverno. Aí do outro lado, alguns já estão a dizer “não é bem assim”, e eu sei, mas não interessa. Toquemos o carro pra diante mas indo atrás buscar o que estava a dizer, e então dizia eu assim - …tinha de trazer flores, mas aliadas a um pouco do melhor que temos. E o que é que temos de melhor!?

 

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Pois de melhor temos o nosso sol, as nossas flores mas também as nossas pessoas, o nosso casario, os nossos pastéis de Chaves, pois tudo isso ficou na primeira imagem do último dia de inverno, com um bocadinho da fachada da pastelaria Maria com a sorte de ter a pasteleira à porta, que já não é a Maria original, mas que continua a fazer deliciosos pastéis. Então viva a Primavera e os Pastéis de Chaves.

 

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E como não há duas sem três, fica mais uma foto florida, com flores apenas e também, já, com umas folhinhas. Estas são de uma amendoeira em flor e já estão lá há uns dias, é que embora a primavera oficialmente só entre hoje, ela contrariou o seu tempo e já chegou cá há uns dias, e esta leva-me até aquela maravilha de lengalenga, que por entrar hoje a primavera, vos a deixo aqui de borla:

 

O tempo perguntou ao tempo
quanto tempo o tempo tem!
o tempo respondeu ao tempo
que o tempo tem tanto tempo
quanto tempo o tempo tem.

 

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E por último fica esta imagem da Rua Direita, e dirão vocês, mas esta não tem flores! Pois não, mas tem muita primavera. Quando acontecem coisas boas, soe dizer-se que é a primavera de “qualquer coisa”, como por exemplo a Primavera Marcelista, o riscado é propositado, pois o exemplo não é o melhor, mas temos a Primavera de Abril, essa sim, foi linda de se ver e viver. Pois em Chaves também está a acontecer uma Primavera no casario do Centro Histórico, com recuperações e reconstruções todas elas bonitas de se verem, interessantes e coloridas q.b.. Parece que finalmente Chaves se deixou das mamarrachadas de betão e se virou para aquilo que Chaves vai tendo de melhor, o seu Centro Histórico. Esperemos que a Primavera também aconteça no regresso das pessoas à vida (de viver) no Centro Histórico e aos comércios de Rés-do-Chão. Ah! E que a primavera atinja também os comerciantes, pois o comércio tradicional já não é bem aquilo que era… há que abrir os olhos!

 

VIVA A PRIMAVERA

 

 

 

19
Mar19

Cidade de Chaves, dois fortes, duas realidades...

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De vez em quando é conveniente verificar se os marcos de Portugal estão no sítio.”  Estas palavras são de Miguel Torga, a respeito do Castelo de Monforte (Diário XIV), e estes “marcos” estão bem presentes naquela que foi uma importante praça militar,  de Chaves, tendo igual importância na defesa do território nacional em face das vulnerabilidades defensivas do vale de Chaves, uma grande porta de entrada de acesso fácil. Daí os estrategas militares do antigo Reino de Portugal terem dotado o concelho de Chaves com 3 castelos  (Monforte de Rio Livre, Santo Estêvão e Chaves) e dois fortes (S. Neutel e S. Francisco), fazendo com que a cidade de Chaves (então vila) fosse uma autêntica vila militar e uma das praças mais importantes de Portugal, mas nem mesmo assim foi suficiente para conter as invasões de Castela e Napoleónicas, deixando de parte as mais antigas (invasões bárbaras).

 

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Pois tal como Torga, também eu de vez em quando vou passando pelos nossos marcos para ver se estão no sítio e está tudo bem com eles, hoje já sem a preocupação militar, mas ainda com a preocupação de preservação do nosso património, que infelizmente, não fica de fora da ação das maleitas da modernidade, sobretudo a do despovoamento, envelhecimento e abandono e tal como as nossas aldeias e periferias, quanto mais distantes estão do centro da cidade, mais sofrem dessas maleitas, basta dar uma olhadela ao que acontece no Castelo de Monforte.  Mesmo nos mais próximos, o estar mais perto do centro da cidade faz toda a diferença, senão comparemos os nossos dois fortes, o de S. Neutel, mais afastado e o de São Francisco, em pleno centro da cidade. O primeiro está fechado e sem vida, o segundo está aberto e com muita vida dentro. O primeiro tem uma capela no seu interior o segundo tem uma igreja. O primeiro tem um importante auditório ao ar livre onde nada acontece, o segundo tem um auditório coberto, que embora pequeno, vão acontecendo coisas. O primeiro tem pavimentos de terra, com muita erva e algum fiolho (funcho), o segundo tem jardins, relvados bem tratados, largos e passeios devidamente pavimentados e muitas árvores ornamentais, inclusivé até palmeiras tem. O primeiro para além da capela tem mais uma pequena construção, o segundo tem várias e importantes construções onde está instalado um Hotel de luxo, com piscina e campos de ténis, restaurantes, bares, etc. e por aí fora... As únicas mais valias que o primeiro forte (de São Neutel)  tem em relação ao segundo (de São Francisco) são a do primeiro ter um fosso que o segundo não tem e realizar-se lá a festa anual da Senhora das Brotas, mas também aqui…coitada da festa, nem as calcanhares chega de uma festa de aldeia, por mais pequena que a aldeia seja.

 

 

18
Mar19

O Barroso aqui tão perto - Barracão

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Neste “andar” por todo o Barroso, um dia tínhamos de parar aqui, numa das suas “estações de serviço”, por sinal uma das mais antigas que conheço e penso que durante muitos anos foi a única da EN103 entre Chaves e Braga. Refiro-me ao Barracão, mais uma localidade do Barroso de Montalegre. É para lá que vamos hoje.

 

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O Barracão é uma das localidades que há mais tempo conheço, para além de Montalegre, e por sinal um lugar simpático que durante muitos anos era de paragem obrigatória e, ainda vai continuando a ser. Acontece que as minhas primeiras grandes viagens de carreira eram para Montalegre ou Braga e que eu recorde, no Barracão era o único sítio onde se fazia uma paragem mais prolongada, de 15 a 20 minutos, onde se podia sair da carreira para ir ao bar botar um copo,  fazer um chichi, esticar as penas, apanhar ar, o que fosse, mesmo para fumar um cigarro ao ar livre, sempre sabia melhor que dentro da carreira. Recordemos que antes se podia fumar dentro dos transportes públicos, até havia cinzeiro nas costas dos assentos e curioso é que era um acto que parecia não incomodar ninguém, pelo menos ninguém reclamava.

 

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Gosto de chamar “Estação de Serviço” ao Barracão, e de facto assim era quando a carreira Chaves-Braga ou Braga- Chaves lá fazia escala, não só paras as coisas que atrás enunciei, mas também porque era lá que se fazia escala e tinha de mudar de carreira para ir para Montalegre. Uma “Estação de serviço” que fazia serviço público, pois o bar servia as pessoas naquilo que necessitavam, mesmo como sala de espera, mas para além disso, sempre recordo por lá as bombas de gasolina e penso que pro lá sempre se fizeram negócios ou vendiam coisas, sobretudo ligados com a agricultura, pelo menos ainda por lá existe um testemunho de tal acontecer expresso num portão “foskamónio”, um adubo de fundo para todas as culturas, segundo a publicidade.

 

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Pois além destas recordações de outros tempos, pelo menos das viagens nas carreiras cinzentas do Tio Magalhães e depois as da Rodoviária Nacional (mais coloridas), penso que hoje nenhuma carreira faz este trajeto direto, no entanto, a verdade é que o Barracão mantém as suas funções de Estação de Serviço, continua por lá o bar e restaurante, as bombas de gasolina e pela certa que ainda algum negócio, pelo menos é lá que está instalado o Matadouro Regional do Barroso e Alto Tâmega, S.A. .

 

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De resto, para além da “Estação de Serviço” e espaço de armazéns, mais ou menos tantos como casas de habitação, o Barracão não tem características de uma aldeia tradicional. Penso que nunca teve escola, também não lhe conheço igreja ou capela, e ao todo, entre armazéns, construções de habitação e instalações do matadouro, serão umas vinte construções, repartidas de um e outro lado da EN103. Não se se entre a sua população haverá gente que chegue para fazer uma equipa de futebol, mas o Barracão tem campo de futebol, que por estes lados não são apenas para se jogar futebol, pois é(ra) também campo para as chegas de bois, que penso também têm um significado especial no Barracão.

 

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Quanto às imagens que hoje ficam por aqui, foram sendo recolhidas ao longo das nossas passagens pelo Barracão. Apenas a última recolha foi mais pensada e demorada, que deu para subir à croa de uma pequena elevação cuja cruz (cruzeiro) nos apelava a uma visita. E em boa hora lá fomos.  Pelo que pude ler numa placa colocada na base da cruz, foi mandada construir por Fernando de Moura em 1970 e foi erguida em honra do Senhor dos Perdões, que pela certa terá o poder de a todos perdoar…

 

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E hoje respondo a um amigo e companheiro em muitas destas descobertas do Barroso que subiu comigo ao cruzeiro do Senhor dos Perdões. Claro que mesmo lá se tivesse dado o milagre da iluminação dos passos, não foi para a joelhar e rezar que lá subi, nem para captar a nudez crua das terras de um Barroso que eu vejo coberto de belíssimos tapetes verdes ou dos mais nobres carvalhais, onde mesmo nas terras mais altas de Portugal há sempre espaço para um belíssimo tapete, que mesmo não subindo em altura se eleva em beleza que quando em flor se enche de matizes,  parecendo espelhar nele as cores arco-íris desde o lilás-roxo-violeta da urze-erica-torga ao amarelo da giesta ou da carqueja, e outras espécies de flora e fauna que a virgindade do olhar sempre nos mostra, mas é na croa dos montes e elevações que nos purificamos, sim, porque por lá o ar é outro, estamos mais perto do Céu e vê-se o mundo todo, sem ser necessário ajoelhar, rezar ou ter cruzeiros, com todo o respeito que por eles tenho e acreditar que tem a sua nobre missão de guiarem quem anda perdido e é perdoado pelo Senhor dos Perdoes de quem tem fé, muito para além dos momentos zen que lá se desfrutam.

Mas gosto da foto, do milagre da iluminação e do poema :

(https://andanhos.blogs.sapo.pt/palavras-soltas-o-cruzeiro-do-senhor-60660)

 

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E com esta passemos à forma de chegar ao Barracão, ou melhor, ao itinerário que nós recomendamos, pois todos os caminhos vão dar ao Barracão. Pois, com o ponto de partida sempre desde a cidade de Chaves,  nós recomendamos mais uma vez o trajeto via S.Caetano, Soutelinho da Raia, Meixide, Pedrário, Serraquinhos, Zebral, Vidoeiro, Cortiço (ao lado) e finalmente o Barracão. Mas se é daqueles que quer ir mesmo direto, apanhe a EN103 e direção a Braga, deixe-se ir sempre por ela e quando aparecer a placa Barracão, está lá.  Que seja por um lado ou pelo outro, a distância é semelhante, trinta e poucos quilómetros no total.

 

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Passemos às nossas consultas sobre o Barracão, como sempre no livro Montalegre, onde apenas se refere ao Barracão como um lugar da freguesia de Cervos e à Toponímia de Barroso que pouco mais diz:

 

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Barracão

É um topónimo (o lugarejo do Barracão) relativamente novo, mas não o vocábulo. Provém de “barraca” = “barra + aca” e significa edifício. Barra, por sua vez, tem raízes pré-romana, tal como Barroso – barr – a que podem juntar os mais variados sufixos criando uma família toponímica enorme que já estudámos no topónimo Barroso.

 

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E pouco mais haveria para dizer sobre o Barracão se lá não tivesse nascido um Senhor que foi batizado com o nome de Fernando Gonçalves de Moura, ou Fernando do Barracão que pela sua vida e obra é mais um dos ícones do Barroso, com três livros publicados e uma vida inteira dedicada às chegas de bois do Barroso.

 

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Fica um pouco da sua biografia que não está completa, mas que completaremos logo que possível.

 

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Fernando Moura

Fernando Gonçalves de Moura, nasceu no lugar do Barracão, concelho de Montalegre, em 14 de Novembro de 1930, de um lar de 6 irmãos. Fez a quarta classe, para o que teve de andar de escola em escola, porque nem todas as aldeias tinham professora. Mais tarde completou o sexto ano no ensino recorrente. Foi quase tudo na vida em que um Barrosão se pode envolver: Começou como pastor de ovelhas e de cabras. Seguiu-se um período em que teve de trabalhar ao balcão do comércio do Pai – o Abel Moura – que era a estação de serviço da época, no cruzamento do Barracão, onde se fazia o transbordo dos passageiros das camionetas para Braga, Chaves e Montalegre. Entretanto envolveu-se nas mais diversas modalidades do desporto. Foi ciclista, atirador de malhão, apaixonado (até hoje) pelas «chegas de bois», caçador, um acérrimo adepto do F. C. do Porto…

 

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Em 1951, Fernando Moura prestou serviço militar no Bat. Caç. 1, sendo «impedido» do então capitão António de Spínola, durante seis meses. Ao fim de 32 meses regressou ao Barracão, onde arregaça as mangas. Comprou uma camioneta comercial, distribuindo todo o tipo de produtos regionais: batata, vinho, presunto, hortaliças, enfim, tudo o que a terra dava. Em 1959 casa com Ana Lima de Moura, de Vila Verde da Raia, professora em várias escolas de Barroso. Dela teve três filhos: A Cacilda Moura, hoje professora catedrática da Universidade do Minho, o Fernando Abel e a Dina Paula. Ao filho cedeu a distribuição do gás e a parte agrícola, mantendo ele a gestão do posto de combustíveis e a representação de seguros, em que se profissionalizou.

 

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Vistas desde o Cruzeiro do Senhor dos Perdões

Em 1995, Fernando Moura publicou o seu primeiro livro: «Barroso e as chegas de bois», onde relata 167 «chegas». Na Rádio Montalegre mantém, desde há anos, o programa «Espaço Público – chegas de Bois» de que recentemente a RTP fez uma reportagem, ao vivo, para todo o espaço onde ela chega. No associativismo tem uma acção notável: social, cultural, desportiva, recreativa, profissional e até genealógica, uma vez que se lembrou de realizar anualmente a festa dos «Mouras».

 

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Vistas desde o Cruzeiro do Senhor dos Perdões

Fernando Moura fundou o Clube de Caça e Pesca, a Associação etnográfica «O Boi do Povo», a Associativa de Caça do Leiranco etc. «A Vida de um Barrosão», livro que ora aparece, é o corolário de toda esta vivência que o honra e honra todos os Barrosões, vivam eles onde viverem.

Em agosto de 2008 lança o seu terceiro livro, “Cruzeiros e Alminhas”.

Em 2016 foi homenageado pela Câmara Municipal de Montalegre e agraciado com a Medalha de Mérito Municipal.

 

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Vistas desde o Cruzeiro do Senhor dos Perdões

 E é tudo por hoje, no próximo fim-de-semana teremos aqui mais uma aldeia do Barroso.

 

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

BAPTISTA, José Dias, Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre, 2006.

BAPTISTA, José Dias, Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso, 2014.

 

WEBGRAFIA

 

https://www.cm-montalegre.pt/

 

 

 

 

 

16
Mar19

Santa Bárbara - Chaves - Portugal

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Depois de termos passado por todas as nossas aldeias do concelho de Chaves com nome de santo, chegou a vez das santas. Eu sei que as santas deveriam ter vindo aqui primeiro, mas erro na ordenação do nosso arquivo fez com que os santos aparecessem primeiro. Foi uma exceção à ordem alfabética e como não há uma sem duas, a exceção de hoje chama-se Santa Bárbara, que não é aldeia, mas uma pequena capela na croa dum monte desde onde se avista o mundo todo. É por essa, pela paz que lá se vive e por alguns pormenores que gosto de ir por lá de vez em quando.

 

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Aqui vão ficando as provas de que, desde a Santa Bárbara, se vê o mundo todo, ou pelo menos aquilo que às vezes nos parece a uma certa distância, afinal é aqui tão perto, como o Barroso Da imagem que fica atrás, com a Serra do Larouco ao fundo e em primeiro plano a aldeia, ainda flaviense, de Casas Novas.

 

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Se rodarmos o olhar 90º em relação à imagem do Barroso, nesta imagem que agora fica, chegamos até Vila Pouca, com a aldeia de Oura lá ao fundo, antes da primeira montanha com as curvas do Reigás a dirigirem-se para a reta e vale de Saboroso. Curioso nesta imagem é que se vê mesmo para além de Vila Pouca, incluindo o viaduto da autoestrada que atravessa o vale de Vila Pouca. Quer-se dizer, talvez não vejam, mas está lá, senão vejam a seguir a ampliação da última imagem:

 

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Está lá ou não!? Claro que está, o que é preciso é ter olho para o ver, já a cidade de Chaves está bem mais próxima e é também desde Santa Bárbara que temos uma das mais belas vistas panorâmicas sobre a nossa cidade:

 

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Mais próxima ainda fica a aldeia de Ventuzelos, a umas escassas centenas de metros tendo a Serra do Brunheiro de fundo. Ventuzelos à qual pertence esta Santa Bárbara que por estar na croa do monte está mais próxima do Céu, pelo qual passam quase todos os aviões que vindos da Europa se dirigem para o Porto (suponho). É uma autêntica autoestrada de aviões sempre a passar que também ficam mais perto do nosso olhar.

 

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Quanto à Santa Bárbara, lugar e assim uma espécie de pequeno santuário, é copos por uma casa de esmolas com um pequeno alpendre, uma escadaria no cimo das quais fica a capela tendo ainda pelo meio uma espécie de terraço que penso seja o coreto da banda.

 

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Deste pequeno conjunto ficam apenas duas imagens e da capela apenas uma nesga, tudo porque não é fácil fotografá-la no seu todo, quer porque as árvores lhe tapam as vistas, os muros de elevação também não ajudam e por outro lado a proximidade dos grandes penedos não nos deixa espaço para um foto com o seu todo. Descendo a Pereira de Selão, desde aí é possível, mas a distância apenas permite ver um pequeno ponto branco. Mas fica para uma próxima oportunidade.

 

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Outra das razões pela qual gostamos de ir por lá, são os pormenores, alguns da capela que já temos deixado por aqui noutras ocasiões, mas também os que a natureza nos dá, como os da bicheza onde há sempre por lá uma espécime de borboletas que gosta de posar para a fotografia.     

 

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Penso que as razões apresentadas merecem bem as nossas visitas, mas sobretudo há também a paz do lugar, às vezes um pequeno murmurar do vento, as melodias da passarada ou mesmo alguns silêncios absolutos,  apenas quebrados pelos nossos ruídos pessoais, como o da respiração ou os nossos passos. Um dia destes tenho de voltar por lá… faço o mesmo e deixe-se ficar por lá o tempo que o tempo quiser, pois não se irá arrepender.

 

 

13
Mar19

Rua Luís de Viacos - Chaves - Portugal

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Nunca resisto em realçar o colorido de uma roupinha pendurada numa corda a secar, principalmente nos tempos de hoje em que as casas das nossas aldeias e do centro histórico da cidade estão cada vez mais despovoadas de pessoas. Roupinha pendurada na corda significa que há pessoas dentro das casas para a utilizar. Há quem ache uma parolice, pois eu acho castiço, dá colorido às fachadas das casas, vida, movimento. Gosto! E o resto são tretas…

 

 

12
Mar19

Cidade de Chaves - Um olhar sobre um cantinho

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Hoje fica a imagem de um cantinho da nossa cidade que dá pelo nome de Largo Caetano Ferreira, ali onde se entra para a Rua da Ordem Terceira tendo a um lado a Igreja Matriz (Igreja Grande ou de Santa Maria Maior)  e o  Museu de Arte Sacra, e do outro lado da rua,  algum casario abandonado ou em ruinas e ao fundo da rua, o edifício que foi sede da Ordem Terceira dos Franciscanos Leigos que dá origem ao topónimo. Curiosidades deste cantinho/largo, uma, a do próprio Caetano Ferreira que não se sabe bem quem foi a não ser ter vindo do Brasil, ter adquirido algumas casas então ali existentes e tê-las demolido para dar lugar a este pequeno largo, mas segundo consta, era um homem de bem, de grandes virtudes e muito dado a obras de caridade, diz-se ter morrido em cheiro de santidade. A outra curiosidade é a do Museu de Arte Sacra, que pouca arte tem, coitadinho. mas se for por lá enganado, não dê o tempo como perdido, pois no mesmo edifício, no seu interior, ou atravessando o largo, num outro edifício,  tem muita arte sacra com que se deliciar, refiro-me, claro, à Igreja Matriz e à Igreja da Misericórdia, que sem serem museus, têm muita arte, começando pelos próprios edifícios.

 

11
Mar19

O Barroso aqui tão perto - Antigo de Viade

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Geralmente às segundas-feiras fazemos o regresso à cidade, mas hoje, para ser diferente, apenas vamos passar pela cidade, seguimos em direção ao São Caetano, paramos lá, não para cumprir promessa, rezar ou meditar, mas para encher a garrafa de água fresca para o resto da viagem, depois seguimos em direção a Soutelinho da Raia sem entrar na aldeia, pois logo no início vamos virar à esquerda e, umas centenas de metros à frente,  entramos no concelho de Montalegre, mas antes, imediatamente antes de entrarmos em Montalegre, paramos no alto,  junto ao grande penedo, para deitar um olhar sobre a Serra do Larouco, é dali, que a serra mostra toda a sua imponência e se transforma no Deus Larouco, daí, ser paragem obrigatória.

 

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Bem, poderia continuar a descrever o resto da viagem e o que iria acontecer, mas na realidade esta viagem já foi feita, e o que vai ficar por aqui é aquilo que vimos na aldeia barrosã convidada de hoje, Antigo de Viade, a última da trilogia de aldeias com o topónimo de Viade. Se calha, esta, Antigo de Viade, até deveria ter sido a primeira, mas calhou para o fim, pois primeiro fomos até Viade de Baixo, depois a Viade de Cima e hoje, sim, fica Antigo de Viade.

 

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Pois regressemos ao trajeto que fizemos até lá, um dos nossos preferidos para entrar no Barroso, e recordemos que o nosso ponte de partida é sempre a cidade de Chaves. Pois preferencialmente vamos via São Caetano, passamos por Soutelinho da Raia, entramos no concelho de Montalegre e logo na primeira aldeia, Meixide, deixamos a estrada principal que nos levaria até Montalegre, via Vilar de Perdizes, e viramos em direção a Pedrário e logo a seguir entramos em Sarraquinhos onde de novo abandonamos a estrada que também nos levaria até Montalegre para apanharmos uma outra que nos levará até Zebral, Vidoeiro e o Barracão, onde apanhamos a EN103 em direção a Braga, logo a seguir vai-nos aparecer a barragem dos Pisões (à esquerda) e depois de passarmos pela Aldeia Nova do Barroso, São Vicente, Travassos da Chã, Penedones e Parafita, ainda tendo a barragem dos Pisões por companhia, saímos da EN103 (à direita) para finalmente entrarmos em Antigo de Viade.

 

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Viramos à direita mas também à esquerda, entre a EN103 e a Barragem já há casario que pertence à aldeia, mas trata-se de casario mais recente e de certeza que não me engano, trata-se de casario que só foi construído depois da construção da barragem em meados do século passado. Mas o nosso destino é mesmo a antiga aldeia de Antigo de Viade, embora depois de a termos visitado também fomos deitar uns olhares à barragem e ao viveiro das trutas. Para melhor esclarecer este trajeto, fica o nosso habitual mapa.

 

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Quanto ao regresso a Chaves, como de costume, propomos um itinerário diferente e que poderá ser a EN103, ou seja, voltamos para trás e no Barracão em vez de tomarmos o trajeto de ida, continuamos pela EN103 até Chaves.

 

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Entremos em Antigo de Viade, que sem ter qualquer documento (para já) em que me apoiar, suponho que será a mais antiga das três aldeias que adotaram o topónimo de Viade. Pois, em geral, costumámos surpreende-nos pela positiva quando entramos pela primeira vez numa aldeia, mas desta vez, tal não aconteceu, tudo porque depois de termos passado por Viade de Baixo e Viade de Cima, só ficaríamos surpreendidos se Antigo de Viade, no que respeita a aldeia típica barrosã,  ao casaria e à envolvência não estivesse a par ou à altura das outras duas. Claro que tem as suas singularidades e é diferente das outras, mas igualmente interessante, pelo que recomendamos e merece ser visitada.

 

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Do que mais gostámos de ver em Antigo de Viade, para além do conjunto como aldeia, da verdura da sua envolvência e do espaço junto à barragem, podemos destacar a sua igreja com a torre sineira separada do edifício e localizada em frente à entrada principal, tal como vai acontecendo em outras igrejas do Barroso. Gostámos também de ter visto algumas recuperações de casario respeitando a traça original e do conjunto escola/recreio e a sua localização, já não gostámos tanto de a ver abandonada.

 

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Claro que para além do abandono da escola, também há outros pormenores que gostámos menos, tal como algumas ruínas, algumas casas abandonadas, o envelhecimento da população e, claro, a tendência ao despovoamento, ou seja, o costume nas aldeias mais pequenas e mais distantes da sede de concelho.

 

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Quanto às nossas pesquisas, no livro “Montalegre” ficámos um pouco baralhados, pois há muitas referências a Viade, simplesmente Viade, sem referir se é Viade de Cima, Viade de Baixo ou antigo de Viade. Aliás o Antigo de Viade não é referido nenhuma vez, pois a aldeia apenas aparece como Antigo, a única referência e apenas para dizer que faz parte da freguesia de Viade de Baixo, atualmente Viade de Baixo e Fervidelas.

 

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No resto das pesquisas também pouco mais encontrámos. Há no entanto no Facebook dos sítios com referências da Antigo de Viade, uma página e um grupo, ficam os links:

 

https://www.facebook.com/antigo.deviade

https://www.facebook.com/groups/156309271139920/

 

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Quanto a “Toponímia de Barroso” temos o seguinte:

 

Antigo de Viade

 

Nasce do adjectivo latino ANTIQUU > ANTICO > ANTIGO, mas com idêntica significação. Sendo adjectivo há que subentender o substantivo perdido. É natural que fosse algum casal, vilar ou construção arqueológica que se desconhece qual fosse. Mantém-se o topónimo que recorda o facto.

 

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Ora assim sendo, vamos ao topónimo de Viade, que Antigo de Viade também tem:

 

VIADE

 

Desde 2013 – União de Freguesias de Viade de Baixo e Fervidelas

 

É o genitivo do nome pessoal Beatus; “villa” BEATI>BIADE>VIADE.

Podia ser escrito Biade pois o topónimo já em:

-1258 «Sancte Marie Biadi» INQ 1514 estava sedimentado. De igual modo a forma encontrada em

-1288 « de Sancta Maria de Biady» (Com o y dos ditos amigos sdo pedantesco arcaísmo) INQ N.A. – 492. Nas inquirições de

- 1282 «…isto he en termyo de Biadi». Aqui voltamos à forma final/inicial – onde apenas faltava o e mudo terminal cujo i já assim devia soar.

 

1600-antigodeviade (26)-1

 

Quanto à “Toponimia Alegre” integrada na “Toponímia de Barroso” temos em relação a Antigo de Viade:

 

Justiça do céu te caia,

De Deus te venha o castigo,

Porque te foste casar

No deserto do Antigo.

 

1600-antigodeviade (19)

 

 E mais esta:

 

Adeus lugar do Antigo

Tens um chafariz no meio

Onde os homens vão beber

Com a cabeçada e freio.

 

1600-antigodeviade (6)

 

A mais esta ainda:

 

Dizem os do Antigo:

Ao clérigo-frade

Nem por amigo

Nem por compadre

 

1600-antigodeviade (18)

 

Também aqui:

 

Cávado – Regavão:

 

Leirões de Lamas,

Lagartos de Fervidelas,

Conhadeiros de Bustelo,

Boleteiros de Friães,

Ladrugães, esfola-gatos mata-cães,

Manta-moura de Reigoso,

Chinos de Currais,

Porcos de Sacoselo,

Ovelhas de Pondras,

Fanhos de Travaços de Chã,

Penedos de Penedones,

Tomba-malgas de Parafita

Ó derrim pó-pó

Cabra velha arroz pró pote!

Corta-matos do Antigo,

Esfola-cabras de Viade

Arribadas de Viade de Cima,

Machuchos da Vila

Cambados de Cambeses

(…)

 

1600-antigodeviade (9)

 

E ficamos por aqui. Ficam ainda as habituais referências às nossas consultas e dizer-vos que as abordagens que já fizemos às aldeias e temas de Barroso estão agora no menu do topo do blog, mas também nos links da barra lateral. Se a sua aldeia não está lá, em breve passará por aqui num domingo próximo, e se não tem muito tempo para verificar se o blog tem alguma coisa de interesse, basta deixar o seu mail na caixa lateral do blog onde diz “Subscrever por e-mail”, que a SAPO encarregar-se-á de lhe mandar um mail por dia com o resumo das publicações, com toda a confidencialidade possível, pois nem nós teremos acesso à vossa identidade ou mail.

 

1600-antigodeviade (54)

 

BIBLIOGRAFIA

 

BAPTISTA, José Dias, Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre, 2006.

BAPTISTA, José Dias, Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso, 2014.

 

 

 

 

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