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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

11
Jan20

Aldeia de Tronco

Chaves - Portugal

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TRONCO

A nossa aldeia de hoje é Tronco, pois é assim que manda a ordem alfabética desta nova ronda pelas aldeias. Nova ronda que já não é recente, pois a uma aldeia por semana, chegar até ao fim da letras T (neste caso de Tronco), foi uma longa caminhada.

 

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Engraçado que no início desta ronda, a intenção era a de trazer aqui apenas três fotografias que tivessem escapado a anteriores seleções em publicações sobre a aldeia, que seriam uma foto a cores, uma a p&b e outra com cutout, mas com o tempo fomo-nos entusiasmando e fomos acrescentando outras que achávamos que eram merecedoras de estar aqui, depois, mais tarde, introduzimos e acrescentámos o vídeo com todas as fotografias publicadas no blog até à data presente.

 

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Pois é nessa que estamos, acabando por ser mais um post sobre as aldeias a quem calha a sorte de calhar na ordem alfabética, sem contudo, lembramos, não termos (em geral) ido a estas aldeias ultimamente, ou mesmo há anos. Fica esta informação apenas para dizer que as fotos são de arquivo, fotos que fomos reunindo ao longo da existência deste blog, ou seja desde há 15 anos, com as fotos mais antiga que hoje fica por cá a estarem datas de 2006 e as mais recentes de 2012, ou seja, mesmo as mais recentes já foram tomadas há 7 anos, assim, é normal que nem tudo, hoje, esteja tal qual está retratado nas fotografias, o que até tem o seu interesse.

 

1600-tronco (470)-video

 

É mesmo assim, aliás um dos motivos que torna as fotografias interessantes, é o tempo que já passou por elas, e quanto mais antigas mais interessantes, mesmo que o motivo, composição, pormenor ou a qualidade da fotografia não tenham grande interesse, ganham-no como documento, embora não seja o caso para nós que há 15 anos já eramos adultos, mas já o pode ser para aqueles que hoje têm entre os 15 e 20 anos de idade.

 

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Isto leva-nos também a um registo constante de aldeias e motivos por onde já passámos, mas também é conveniente dar um certo tempo entre visitas, pois aí, as diferenças acentuam-se. Quero com isto dizer que um ano destes que hão de vir, se a vida mo permitir, haverá uma nova ronda pelas nossas aldeias, sem com isso desprezar ocasionais passagens por elas, onde há sempre um ou outro motivo que atraem a atenção do nosso olhar, e como agora se anda sempre com câmara fotográfica, nem que seja a de um telemóvel.     

 

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Estamos cientes que nestas abordagens nunca conseguimos dar o todo da aldeia, por muito que se tente, e depois há motivos que nem por isso nos atraem, gostamos mais de imagens que nos podem contar coisas, que têm montes de estórias a elas ligadas, imagens que até podem ser desconhecidas para nós, mas que nelas podemos imaginar estórias e que nos levam a outras recordações.

 

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E depois há sempre os pormenores, sempre tentadores a um registo, podem não mostrar nada se neles nada quisermos ver, podem ser apenas atrativos  pela cor ou pelas formas, mas podem mostrar se realmente olharmos para eles com atenção, como a fé em algo que se crê numas alminhas, a arte e saberes tradicionais espelhados nos cortinados de uma janela, ver obras de arte que por serem populares dizem já não ser arte a sério, daí  apelidá-la de artesanato e ao artista de artesão, ou simplesmente ter a sorte de assistir a refeição de um ninho de passarinhos.

 

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E estamos a concluir esta passagem por Tronco, a finalizar com o vídeo com todas as imagens publicadas até hoje aqui no blog. Espero que gostem.

 

 

Links para anteriores abordagens a aldeia de Tronco:

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/tronco-chaves-portugal-1309608

https://chaves.blogs.sapo.pt/786514.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/365647.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/22292.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/391854.html

 

 

 

 

29
Nov15

Tronco - Chaves - Portugal

1600-tronco (183)

 

Penso que as imagens falam por si e dispensariam muito bem os comentários ou palavras que deixo por aqui a acompanhá-las. Quem me conhece e conhece os registos fotográficos que faço para o blog, sabe que o que prende a minha atenção nas nossas aldeias e mundo rural é, para além das paisagens, o casario antigo e alguns pormenores associados à vida das aldeias. Casario e pormenores que refletem os sabores, saberes, crenças, costumes, hábitos, arte, história e estórias dos locais. Em suma é a cultura dos lugares aquilo que mais me desperta no nosso mundo rural.

 

1600-tronco (210)

 

Mas claro que quando abordamos a cultura de um lugar estamos a entrar por caminhos aparentemente complexos, isto, se tivermos em conta a definição que cada um de nós tem para a cultura, que é diferente segundo que a aborda. Por exemplo politicamente falando entendem por cultura o que está ligado às artes, ao cinema, ao teatro, à literatura, à música, etc.. Se regressarmos no tempo até à civilização romana e aos falantes da línguas de origem latina, a cultura está também associada ao cultivo da terra para produção. Se entrámos no campo empresarial o mais provável é que se fale de cultura organizacional, mas ainda há mais, pois sempre podemos falar de cultura popular e da cultura segundo as visão da filosofia, da antropologia e das restantes ciências sociais que embora todas à volta do mesmo defendem algumas diferenças.

 

1600-tronco (185)1

 

Quanto ao meu entender de cultura já o deixei no primeiro parágrafo e que se integra perfeitamente naquilo que as ciências sociais defendem, mas para aqui a definição até pouco interessa, pois só levantei esta questão por duas razões. A primeira para justificar as imagens que vos vou deixando aqui durante os fins de semana e que vão de encontro à vidas das nossas aldeias que precisamente identificam uma cultura própria que estamos a perder.

 

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Pois a segunda razão de hoje trazer a cultura também se prende com as imagens de hoje serem de Tronco onde, culturalmente falando, vivem duas comunidades distintas, uma que á mais tradicional nas nossas aldeias e uma outra, a comunidade cigana que há umas dezenas de anos vive na aldeia e tem laços familiares mais próximos à comunidade cigana mais ampla que vive um pouco por todo o nordeste transmontano junto à raia, desde Bragança até Chaves.

 

 

 

06
Mai12

Tronco - Chaves - Portugal

 

Então vamos lá até mais uma aldeia, daquelas que têm andado por aqui mais ausentes, hoje a aldeia que também é freguesia – Tronco.

 

 

Mas vamos ficar apenas por pormenores aproveitando para trazer também aqui um elogio há muito ausente – o merecido elogio ao fio azul, que como todos sabem, é o melhor. O laranja, embora concorrente, parece-me que não é tão bom.

 

 

Um elogio também à cor e às combinações de cores que às vezes fazem a diferença, pelo menos na alegria, já que, quanto à estética, aí, já é contestada por alguns. Por mim, às vezes gosto, outras vezes nem tanto, mas no presente caso até gosto.

 

 

E por último o pormenor da caixa do correio, com a seta a indicar o buraquinho para o carteiro não se enganar e ver que está mesmo lá. Pois é, tá claro que os carteiros de hoje já não são como os de antigamente e os patrões pelos vistos também não. Hoje, os números, são mais importantes que as pessoas.

 

Então, termino por aqui. Até amanhã ou até mais logo, ainda não sei.

 

 

12
Dez09

Chaves Rural e os Sabores dos Saberes

Estes

são os sabores e saberes da terra

os saberes da semente arrecadada

os saberes de a depositar na terra

os saberes de deixar passar os dias

os saberes dos tempos certos

os sabores das colheitas

os saberes e sabores

do chão e do grão

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Loivos - Chaves

.

Se pudessem dispensar o corpo

Bastavam-lhe o saber das mãos


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Gondar - Chaves

 

E com os sabores e saberes da terra

Tiram saberes da semente arrecadada

E com saberes a fazem farinha

Com saberes ela é amassada

e no saber do deixar passar as horas

dos saberes dos tempos certos

dão aos sabores das colheitas

os sabores dos saberes

do grão que entra e sai do chão

que amassado  entra no forno

para colher o sabor do pão

 

 

Tronco - Chaves

 

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30
Mai09

Mosaico da Freguesia de Tronco

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Tronco

 

Localização:

A 18 km da cidade de Chaves, a Nascente desta, no limite do concelho, situa-se na vertente da montanha que descai para terras de Valpaços, entre terras de Monforte, da Castanheira e do grande planalto de Travancas.

 

Confrontações:

Confronta com as freguesias de Lebução e Nozelos do Concelho de Valpaços e com as freguesias de Bobadela, Águas Frias, Paradela (num único ponto), Travancas (num único ponto) e Cimo de Vila da Castanheira.

 

Coordenadas: (Adro da Igreja)

41º 46’ 37.84”N

7º 17’ 42.17”W

 

Altitude:

Variável – acima dos 750m e Abaixo dos 910m

 

Orago da freguesia:

São Tiago

 

Área:

8,18 km2.

 

Acessos (a partir de Chaves):

– Estrada Nacional 103 em direcção a Bragança.

 

.

 

 

.

 

 

Aldeias da freguesia:

            - Tronco

           

 

População Residente:

            Em 1900 – 417 hab.

            Em 1920 – 400 hab.

Em 1940 – 577 hab.

            Em 1960 – 686 hab.

            Em 1981 – 429 hab.

            Em 1991 – 325 hab.

            Em 2001 – 326 hab.

 

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Principal actividade:

- A agricultura.

 

Particularidades e Pontos de Interesse:

            A respeito da origem de Tronco pouco se sabe, pois nas suas redondezas mais próximas não são conhecidos achados ou estações arqueológicas que possam testemunhar a sua antiguidade, no entanto na sua envolvente junto ao Ribeiro da Pulga foi encontrado um lagar cavado na rocha e nos arredores apareceu uma ara romana dedicada a Júpiter e uma lápide funerária dedicada aos Deuses Manes, que segundo consta, se encontram ambas no Museu Soares dos Reis, no Porto.

 

Também quanto ao seu topónimo não há certezas, pois uns defendem que Tronco andará ligada a uma suposta  característica  da topografia local (em forma de tronco) enquanto que outros defende que estará ligada a um antigo cárcere ou prisão que aí teria existido destinado aos condenados da região de Monforte de Rio Livre.

 

Desconhece-se a sua antiguidade mas sabe-se que já existia e era pertença da “terra” medieval e depois do Concelho do Rio Livre, extinto em 1853.

 

Também a nível eclesiástico, S.Tiago do Tronco foi um curato da apresentação do reitor de S.João da Castanheira, tendo passado posteriormente a Reitoria.

 

A nível de património da aldeia, além do seu casario do núcleo, algum ainda bem interessante, existe a Igreja Paroquial e a Capela do Senhor dos Passos e alguns Nichos de Alminhas.

 

A principal festa religiosa de tronco é dedicada ao Senhor dos Passos e acontece no segundo Domingo de Agosto.

 

De interesse é também a paisagem natural da aldeia e redondezas, com abundantes carvalheiras e soutos, onde existem castanheiros seculares, alguns com troncos entre 2 e 3 metros de diâmetro.

 

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Dada a sua altitude e localização geográfica, avistam-se desde Tronco largos horizontes, todos lançados para Nascente e Sul, com vistas que alcançam as montanhas de Nogueira, Bornes e Santa Comba.

 

Os terrenos produzem centeio, boa batata, legumes, hortaliças e castanha, o típico das terras altas e frias.

 

Tronco é a última aldeia do concelho servida pela Estrada Nacional 103, estrada que desde S.Domingos (limite do concelho a confrontar com o de Boticas) atravessa todo o concelho (passando pela cidade de Chaves). Estrada que tem início em Braga e termina em Bragança.

 

 

Link para os posts neste blog dedicados a Tronco:

 

            - http://chaves.blogs.sapo.pt/365647.html

01
Mar09

Tronco - Chaves - Portugal

 

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Penso que as placas de perigo que agora colocam junto às placas indicativas das localidades dizem tudo, a bengala substitui a antiga pasta do puto que corria para a escola e o casalinho de crianças é substituído por um casal de velhotes. Tanta realidade num sinal de trânsito apenas. Realidade à qual todos assistimos naturalmente como se as nossas aldeias tivessem sido dotadas de vida igual à nossa, uma vida em que um dia nasceram, cresceram, tornaram-se grande e adultas, envelheceram e finalmente só lhes resta esperar pela morte.

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Claro que Tronco, embora esteja longe dessa morte que parece anunciada,  também comunga de alguns males desta realidade. A escola fechou e a sua população está envelhecida, embora com muitos resistentes e regressos de fim-de-semana à terrinha, isto porque ainda há filhos que estão fortemente ligados à aldeia…mas vem aí a geração dos netos e de um futuro laboral incerto em que qualquer destino, poderá ser um destino, onde um dia se poderá recordar por uma ou outra razão a terra dos avós e dos pais.

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O discurso parece pessimista e, o problema está em que para além de parecê-lo é bem real, por mais que se goste da nossa terrinha.   Todos conhecemos o problema do despovoamento das aldeias do interior mais distantes das cidades, conhecemos as causas, mas ninguém faz nada por contrariar o seu triste destino e o problema reside mesmo aí, é que ninguém é responsável ou responsabilizado pelo que está acontecer, embora esse “ninguém” sem rosto, que manda, põe e dispõe das nossas vidas e vontades, exista, no plural até e chamam-se políticos que, no que respeita ao nosso interior, nunca tiveram políticas acertadas ou pior ainda, nunca houve políticas.

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Não ficam de fora os políticos locais que se deixaram também embalar pelas políticas centralistas nacionais onde todos se rendem ao grande capital das grandes empresas, da banca e do betão. Os políticos de Chaves do pós 25 de Abril, também não são excepção e embora haja tendência de acusar os primeiros autarcas das mamarrachadas da cidade, a verdade é que nestes últimos 34 anos elas nunca pararam e ainda hoje em dia se praticam, agora ao abrigo da Lei e de um PDM mais que desajustado em que penalizou o mundo rural, para não falar de um Plano de urbanização da cidade mais que permissivo, por não existir embora existindo, por falta de planeamento da cidade e de planos de pormenor. Tudo que é importante e estrutural para a cidade foi-se adiando e perdendo ao longo dos anos e todas as soluções que agora queiram inventar já são tardias, apenas minimizam males.

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Um desses males foi praticado com as nossas aldeias. Não se pode compreender como é que aldeias a apenas meia dúzia de quilómetros da cidade, que poderiam perfeitamente funcionar como dormitórios da cidade e com qualidade de vida, estão cada vez mais abandonadas e com o seu casario fechado e/ou em lamentável estado de conservação, enquanto na cidade, o betão continua atabalhoadamente a ocupar os espaços disponíveis.

Há 30 anos atrás não havia aldeia no concelho que não tivesse o seu café ou taberna, mini-mercado, escola com alunos, gente e alegria nas ruas, em algumas, como no caso da nossa aldeia de hoje, até havia outros estabelecimentos, como sapatarias ou venda de outros artigos. E já não falo dos barbeiros e toda uma gama de profissões que havia ligadas à vida das aldeias. Tudo isso acabou e salvo raras excepções de jovens que trabalham na cidade e ainda estão ligados e vivem na aldeia, a modernidade e as luzes convidaram toda a gente a concentra-se nas cidades, fechados em meia-dúzia de metros quadrados em coisas que se chamam apartamentos. A modernidade assim o dita.

Todo este discurso não tem a ver particularmente com Tronco, mas também se lhe aplica.

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Tronco é uma das aldeias que conheço há mais tempo e tudo graças a colegas e amigos do tempo de estudante, que na altura, estudavam na cidade mas faziam vida e viviam na aldeia. Estudavam e trabalhavam nas lides da aldeia, mas tiraram os seus cursos e partiram para outros destinos e outras profissões que não se conciliam com a vida na aldeia. Não os critico por terem partido pois outra coisa não poderiam fazer, mas já critico quem, até cursos inventou, para formar os nossos jovens, oferecendo-lhes uma viagem de não retorno às suas origens porque o seu futuro nunca passará por lá, entretanto os políticos andam entretidos por Lisboa a discutir velhas questões de sempre, como por exemplo,  se há-de haver ou não educação sexual nas escolas ou se fumar um charro é crime ou não…políticas que cada vez entendo menos, principalmente desde que começou esta moda da modernidade de tudo concentrar… cada vez mais vamos sendo a paisagem de Portugal, mas pelo caminho que leva a paisagem, não tardaremos a ser o matagal de Portugal.

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Desculpas para Tronco por mais este devaneio, mas é que também estranho a ausência de tanta vida que antigamente havia por lá.

 

Tronco situa-se no limite do concelho, ali onde os ares e as terras já descem para o concelho de Valpaços e Lebução, pouco antes de entrar em terras de Vinhais. Terras que descem e conduzem águas para o Tua.  Dista 18 quilómetros de Chaves e o acesso à aldeia é feita por aquela que atravessa o nosso concelho de lés a lés, a já aqui famosa Estrada Nacional 103, que liga Braga a Bragança e que pelo caminho encontra muitos concelhos, mas em particular (porque nos são próximos) os concelhos de Montalegre, Boticas, Chaves, Valpaços e Vinhais. Grandes mentes as que traçaram o Plano Rodoviário Nacional em que por Chaves passavam e partiam as principais Estradas Nacionais nas ligações fundamentais de Norte/Sul e interior/litoral bem como a Espanha. Tempos que costumamos recordar mal, mas em que os disparates como os que hoje acontecem, não eram permitidos. Esta fica para reflectir…

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Em termos de população Tronco (segundo os Censos) em 2001 tinha 326 habitantes residentes, menos de metade dos 686 habitantes que tinha em 1960. Números não se discutem, é pena, pois estes (que se repetem por todo o concelho rural), até deveriam ser objecto de discussão…

 Tronco possui 8,18 km de área e é a única aldeia da freguesia. Sempre foi uma freguesia rural onde as culturas do costume, como a batata e o centeio eram reis e senhores, mas também todas as restantes culturas de montanha onde até o castanheiro marca presença, que a julgar por alguns exemplares que ainda por lá existem, a castanha é cultura secular e não minto se disser que por lá vi um dos castanheiros com tronco de maior diâmetro (entre 3 a 4 metros) do concelho, senão o maior. Será que é destes imponentes troncos que deriva o seu topónimo!?

 .

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Pois estamos chegados à história da aldeia, e embora os troncos dos castanheiros sejam imponentes, parece que não é dai que vem o seu topónimo, mas antes o nome Tronco estar associado à palavra tronco como local de suplício dos condenados e pela  prisão que aí dizem ter existido e que era destinada aos condenados da região de Monforte de Rio Livre, pois também a proximidade do Castelo de Monforte parece não ser estranha a esta aldeia.

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Também não são estranhas as raças que por tronco passaram e se estabeleceram. Há historiadores e estudiosos que a toda aquela região, que se prolonga até Lebução e terras de Vinhais atribuem uma importante comunidade judaica que o tempo foi diluindo com a população local, mas também a raça cigana encontrou nesta região e também em tronco,  um ponto importante da sua comunidade e onde fixaram residência alguns dos seus elementos. Uma comunidade que vive e convive, estando perfeitamente integrada na aldeia, o que demonstra e podemos apresentar como exemplar, a tolerância das suas gentes, gentes que sempre tive como trabalhadoras e boas e aldeia onde ainda hoje tenho amigos.

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Em termos de tradições, ainda conservam o forno do povo que ainda funciona e continua a cozer o pão, mas também o folar da Páscoa e os assados das festas. Tudo que entre no forno, cabrito, cordeiro, leitão, peru ou seja o que for, pela certa que faz uma boa mesa, a nossa moda, como se gosta. Também o presunto ainda marca por lá a sua presença, presunto de reco caseiro, que além do presunto, também enche os lareiros de linguiças, alheiras, salpicões, chouriços, orelheira e pés/mãos, tudo de porco. Claro que isto é só para criar água na boca, pois eles é que criam o reco e cabe-lhes a eles o direito de comê-lo e distribuí-lo pelos filhos ou servi-lo de merenda às visitas e amigos, e muito bem, pois os da cidade que se contentem com o fumeiro das feiras e das cozinhas “tradicionais-industriais” ou o presunto de Feces. Sou testemunha que o pão, o presunto, o salpicão e o vinho, tudo caseiro, é do melhor que há.

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E que mais há a dizer sobre Tronco!? – Talvez falar um pouco das suas vistas e largos horizontes, não sobre o mar de montanhas como as freguesias que confrontam com terras de Vinhais, mas em largos horizontes que se perdem em montanhas distantes como a de Bornes, de Nogueira e Santa Comba. Descansam-se e deliciam-se as vistas com os olhares que se lançam além das terras de Valpaços. Nem que fosse só por isto, tronco já vale uma visita.

No campo religioso  há a destacar os seus “templos” com a Igreja Matriz, de raiz românica onde se destaca o campanário, marca presença no centro da aldeia, num agradável e interessante largo, desnivelado em relação ao adro da igreja. O Orago é Santiago. Na entrada da aldeia, tem ainda uma capela do inicio do Século passado, rodeada por um enorme largo agora todo pavimentado onde se realiza a festa da aldeia.

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Em termo de ligações à história distante dizem que na aldeia apareceu uma ara romana dedicada a Júpiter e uma lápide funerária dedicada aos Deuses Manes que segundo apurei estão no Museu Soares dos Reis no Porto.

 

E por terras de tronco é tudo, por hoje, pois ainda terá direito a mosaico da freguesia.

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