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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

16
Jan10

Mosaico da Freguesia de Selhariz

 

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Localização:

A 16 km da cidade de Chaves, a Sul desta, no miolo daquele grande triângulo cujos vértices se encontram em Vidago, Peto de Lagarelhos e Chaves, terras do grande Vidago como eu costumo dizer por aqui, numa área interior do concelho e sem visibilidade a partir das 4 grandes ligações rodoviárias a Chaves (EN2, EN103, EN 213 e EN 314), ou seja, é uma daquelas freguesias que não fica na passagem destes itinerários e que para ser conhecida, temos que propositadamente ir lá. Hoje, felizmente, com uma rede estradas e caminhos municipais, que com novos rompimentos e a pavimentação das vias existentes já permitem uma visita à freguesia quando alguma dignidade, coisa que há 20 ou 30 anos atrás não acontecia.

 

Confrontações:

Confronta com as freguesias de Oura, Vidago, Vilarinho das Paranheiras, Vilas Boas e Loivos, todas do concelho de Chaves.

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Coordenadas: (Adro da Igreja de Selhariz)

41º 38’ 07.70”N

7º 32’ 05.50”W

 

Altitude:

Variável – acima dos 400m e abaixo dos 550m

 

Orago da freguesia:

Nossa Senhora da Expectação

 

Área:

8,55 km2.

 

 

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Acessos (a partir de Chaves):

– Com partida do Raio X, tanto podemos tomar a EN 2 como a EN 314. A partir dessas duas estradas, são várias as alternativas que se podem tomar para chegar até à freguesia de Selhariz, no entanto, para quem não conhece a nossa malha viária de estradas e caminhos municipais, o melhor será mesmo seguir os itinerários principais que obrigatoriamente nos levam até Vila Verde de Oura, e só a partir de aqui, é que entramos na freguesia de Selhariz. Ou seja, se tomarmos a Nacional 2, teremos que ir até Vidago e ali apanha-se a E.N.311-3 em direcção a Loivos, até Vila Verde de Oura. Se a opção for a Estrada Nacional 314 , no Peto de Lagarelhos tomamos a mesma E.N. 311-3, mas agora em direcção contrária, até Vila Verde de Oura.

 

Acessos (a partir de Vidago):

– A Estrada Nacional 311-3, até Vila Verde de Oura. Existe uma outra ligação interior pela E.M. 549, com início junto à Escola Secundária de Vidago, que faz ligação também à freguesia de Selhariz, via Valverde, aldeia já pertencente à freguesia.

 

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Aldeias da freguesia:

            - Selhariz

            - Fornos

            - Valverde

            - Vila Rel

 

Vila Rel (Rei ?) embora conste oficialmente como uma aldeia da freguesia, nunca passou de um lugar com um pequeno conjunto de 3 ou 4 casas com igual número de famílias. Será fácil compreender assim, ter sido a primeira vítima do despovoamento total do lugar. Hoje em Vila Rel só existem ruínas quase que cobertas pelas silvas e mato, que deixam uma ténue memória de ali em tempos ter existido vida.

 

Fornos, é outra pequena aldeia, com meia dúzia de casas e outras tantas famílias. Não disponho dados actualizados, mas em 1991, a sua população residente já se limitava só a cerca de 30 pessoas.

 

Valverde e Selhariz, são as duas “grandes” aldeias da freguesia

 

População Residente da Freguesia:

            Em 1900 – 415 hab.

            Em 1920 – 388 hab.

Em 1940 – 515 hab.

            Em 1950 – 593 hab.

            Em 1960 – 585 hab.

            Em 1981 – 407 hab.

Em 1991 – 315 hab.

            Em 2001 – 311 hab.

 

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Principal actividade:

- A agricultura, floresta, pastorícia, tudo em pequena escala e explorações familiares e, bem longe, da actividade dos meados do século passado…

 

Particularidades e Pontos de Interesse:

Se a interioridade da freguesia a torna um convite constante à partida dos seus filhos, também é a mesma que lhe dá algum interesse natural e paisagístico.

 

É um freguesia em que o abandono é bem notório. Excepção para a sede de freguesia, a aldeia de Selhariz,  que ainda mantém muita vida, com gente nas ruas, uma Associação Cultural e Recreativa em actividade e existente desde 1960 que conta com um Rancho Folclórico que tem abrilhantado diversas festas da região, marcando também presença habitual em diversos eventos levados a efeito em Chaves.

 

Mas vamos a um pouco da história possível da freguesia, que ao contrário da grande maioria das freguesias do concelho, esta, não é nada rica em vestígios e achados arqueológicos, pelo menos em toda a literatura possível que encontrei sobre a freguesia, não há menção de vestígios ou achados arqueológico na freguesia. No entanto, a toponímia garante de certa forma um povoamento anti-medieval, a crer mesmo pelo topónimo Selhariz, que segundo dizem os livros, será provavelmente genitivo antroponímico de origem germânica, que talvez remonte ao tempo da reconquista afonsina, de D. Afonso III de Leão. Já são no entanto relevantes as notícias documentais e arqueológicas respeitantes à época baixo-medieval. Valderde, por exemplo, terá recebido “carta de foro” datada de 1259, por acção do arcebispo de Braga, D. Martins Geraldes.

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Foto de arquivo incluinda no post de Selhariz

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Na altura da minha última visita a Selhariz, referiam-me a existência de vestígios de um castelo junto à igreja paroquial, e ainda visível em alguns componentes de uma casa de habitação. De facto, segundo defendem alguns autores, tratar-se-á dos restos de uma torre senhorial já noticiada  nas “Memórias Paroquias de 1758” e cuja edificação se atribuía popularmente (já nessa altura) “aos mouros”. Hoje restam ténues vestígios dessa torre em algumas paredes espessas (cerca de 1 metro de largura) das quais também o betão se foi apoderando do local, adossando-lhe construções. Hoje só uma fértil imaginação conseguirá ali ver uma torre senhorial e mais fértil ainda, para ali imaginar um castelo.

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Foto de arquivo incluida no post de Fornos

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Seja como for, bem junto a esse local, está a Igreja Matriz, com uma traça setecentista, bem simpática por sinal, pena a fachada principal esbarrar quase contra a fachada de outra construção fronteira, formando entre elas um estreito corredor que tira parte da “simpatia” à Igreja, que invoca a Nossa Senhora da Expectação, tornando o seu alçado lateral direito, como o mais simpático e único inteiramente visível, em frente ao qual se desenvolve o adro da igreja. Mas se por um lado as construções vizinhas “abafam” a igreja, por outro dá-lhe um certo romantismo, principalmente no acesso secundário ao recinto que se faz por um pequeno portão que para atingi-lo, praticamente quase se passa pelo pátio de uma das mais belas construções típicas e tradicionais do granito, embora velhinha.

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Foto de arquico incluida no post de Valverde

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Também se realçam na freguesia algumas casas de cariz senhorial, uma em Valverde, com uma belíssima chaminé, e duas contíguas em Selhariz, esta transformadas em turismo de habitação. Mas destas casas e no que diz respeito a cada aldeia jé em tempos prestamos aqui constas, no seu respectivo post alargado que cada uma das aldeias teve, incluindo a de Vila Rel (ou Rei – a eterna dúvida), que fica na história do concelho como a primeira aldeia vítima do despovoamento total no Século XX, vitima das políticas centralistas da capital ou capitais e sedes do poder. Tudo a junto e ao molho, como um rebanho, é mais fácil de governar… quem fica para trás, é tratado com ronha como se de uma ovelha negra se tratasse.

 

 

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Foto de arquivo incluida no post de Vila Rei(l)

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Link para os posts neste blog dedicados às aldeias da freguesia:

 

            - Selhariz

 

- Fornos

 

- Valverde

 

- Vila Rel ou Rei

 

 

 

 

E por hoje é tudo. Amanhã prometemos tradição. Entretanto hoje no Devaneios também há ruralidades.

 

 

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26
Abr08

Vila Rei, Rel, Rele, Real ou reles - Chaves - Portugal



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Aos poucos vou cumprindo a minha promessa de trazer as aldeias e lugares do concelho de Chaves, mesmo aquelas ou aqueles lugares que já tiveram vida e hoje apenas são povoadas por silvas e mato.

 

Na minha relação de aldeias e freguesias, que até prova em contrário é oficial e a única que conheço do nosso concelho, existe na freguesia de Selhariz uma aldeia que até dias atrás eu conhecia apenas de nome como Vila Rei.

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Das 140 aldeias do concelho apenas me faltava conhecer esta. Por várias vezes a tentei procurar por conta própria, mas sem sucesso, nas cartas do concelho também não a encontrava, na carta militar muito menos. Procurei a duas ou três pessoas em Selhariz e também não me souberam dizer até que finalmente, há uma semana atrás, lá dei com a aldeia tão procurada, quando em Vilas Boas procurei a um dos seus filhos:

 

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- (…) e Vila Rei, sabe-me dizer onde fica? Perguntei-lhe.

 

- Vila Rei, não, agora Vila Reles (disse-me com ar divertido) fica ali para baixo, mas não há lá nada! E chama-se Vila Rel, mas hoje não passa de reles.

 

 

Começou a fazer-se luz à volta da Vila Rei que sempre procurei e que por este nome nunca existiu. Pois o consenso lá por Vilas Boas é de que a aldeia se chama Vila Rel. Pesquisando depois de ir ao local na carta militar (que traz sempre tudo) lá encontrei a tal vila escondidinha num cantinho da carta 61 (Esc.1:25.000) e mais uma achega às minhas dúvidas, pois na carta militar consta como Vila Rele. Encontrei ainda uma referência a Vila Real, como designação para a aldeia.

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Mas vamos ficar pelo que diz o povo, porque para mim o povo tem sempre razão. Seja então Vila Rel, que tal como me diziam, hoje não passa de reles.

 

O lugar é paradisíaco e perdido num pequeno vale, verde por todo o lado e apenas silêncio quebrado pela nossa respiração, pelo pouco vento que ia esbarrando com vegetação e, claro,  pela passarada. A Vila Rel, composta por três casas apenas, mal se distinguiam por entre o verde, camufladas que estão com as suas próprias ruínas e pelas silvas que as invadem. De gente humana, nada a assinalar pelas redondezas e segundo apurei, já há muitos anos que tudo está abandonado, ou seja, desde que os seus habitantes morreram.

 

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Podemos então dizer que Vila Rel foi a primeira aldeia do concelho de Chaves a conhecer a desertificação total e de entre muitas das razões, uma delas pela certa que foi a dos acessos, pois ainda hoje, chegar lá, é difícil. De carro nem pensar, em todo o terreno talvez se consiga, pela parte que me tocou, dei corda aos sapatos umas boas centenas de metros, e mesmo assim, fiquei à distância. Pois de caminhos, temos por lá um bom exemplo daquilo a que se chama caminho de cabras.


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Cumpri com Vila Rel. Desta vez este post não irá de encontro a nenhum dos seus filhos, pois já não existem e do seu poiso, apenas ruínas. Mas mesmo assim fica aqui o testemunho de que já existiu, tal como outros testemunhos que vou deixando e a não se fazer nada, em breve farão companhia a Vila Rel, que passou a um reles sítio no meio dum paraíso, em terras que foram reguengas,  pois Vila Rel morreu e já não há quem lhe acuda.

 

Até amanhã, com mais uma ou mais aldeias, ainda vivas.

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