Sábado, 14 de Abril de 2018

Nantes - Chaves - Portugal

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Embora aqui à mão de semear, a nossa recolha fotográfica de Nantes foi feita em 2006 e 2007, mas como sei que nestes últimos anos sofreu algumas transformações, ontem ao final do dia passei pelo centro da aldeia para recolher mais algumas imagens fresquinhas. Assim, hoje, vamos deixar por aqui imagens de há 12 e 11 anos e algumas com apenas umas horas.

 

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Na realidade a aldeia não se transformou muito nestes últimos anos, principalmente o núcleo histórico, no entanto o seu território, aliás o território de toda a freguesia, foi um dos que mais transformações sofreu nos finais do século passado e início deste, refiro-me aos últimos 40 anos em que a freguesia verificou um crescimento vertiginoso em construções, sobretudo moradias de primeira habitação, o que implicou um crescimento substancial da população.

 

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Claro que fatores como o da localização e proximidade da cidade não foram alheios ao seu crescimento, tanto que hoje entre a freguesia e a cidade de Chaves não há separação física no que respeita a casario construído. A sua localização entre a veiga de Chaves e a Serra do Brunheiro também criou condições ideais para o surgimento de grandes bairros dormitórios, entre os quais a TRASLAR, o Bairro de S. José e o Lombo.  

 

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Aliás os  CENSOS demonstram bem este crescimento, embora a linha de tendência de crescimento da população se tenha iniciado em 1920 com 732 habitantes (freguesia), atingindo 1423 habitantes em 1960. Aqui desceu vertiginosamente para 708 habitantes em 1970 mas a partir dessa data tem sido sempre a subir vertiginosamente, atingindo o seu máximo em 2001 com 2117 habitantes, o que a colocou como uma das freguesias mais populosas do concelho, então só ultrapassada pela freguesia da cidade (Stª Maria Maior) e Outeiro Seco ainda com Santa Cruz/Trindade.

 

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Mas hoje, aqui no blog, queremos mesmo é deixar a aldeia de Nantes, o seu núcleo histórico, que tinha e tem início na Rua que parte da estrada de Valpaços e continua por ali acima até entrar bem dentro da Serra do Brunheiro, dispondo-se a aldeia ao longo desta rua, alargando-se o casario na zona da capela da aldeia, onde existia o seu largo principal. Aliás a aldeia histórica era e continua a ser assim, pois esta pouco crescimento teve em termos de casario, pois em população penso que perdeu alguns habitantes.

 

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O largo da aldeia, entre a nossa primeira recolha fotográfica e a última, foi o que sofreu mais alterações. Nasceu uma nova construção, a casa solarenga que lã existia abandonada e altamente degradada foi reconstruída e o largo sofreu obras de restauro, onde a terra batida do deu lugar à sua pavimentação, onde nasceu uma nova rua, alguns estacionamentos e uma casa mortuária. Arranjo que há muito se exigia, mas que a meu ver não foi muito feliz. Nantes e o largo mereciam bem melhor, um largo bem mais interessante, mas Chaves parece que anda com azar no que diz respeito aos “arquitetos” de largos ou aos políticos que os “projetam”. No entanto, diga-se, que está muito melhor do que aquilo que estava e ganhou uma casa mortuária, essa sim, sem incomodar o largo. Mas o primeiro atentando no largo foi mesmo o do “Centro Social”, não pela sua utilidade que penso ter, mas por estar completamente desenquadrado no largo, é aquilo ao que vulgarmente se chama um mamarracho no meio do local mais nobre da aldeia.

 

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Bem, mas não trazemos aqui Nantes para falar das suas desgraças, antes pelo contrário, queremos é mostrar algumas das suas preciosidades, e uma delas tem a ver com a sua localização, sendo uma aldeia da veiga e simultaneamente da montanha, depende para onde nos virámos, mas também há outras preciosidades, algumas delas escondidas, como a quinta do hospício, mas que há anos tivemos oportunidade de espreitar para poder mostrar um pouco. Relíquias da arte da cantaria um pouco distribuídas pela quinta.

 

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O verde também sendo ainda uma constante ao redor da aldeia, escurecendo conforme o arvoredo vai surgindo na Serra do Brunheiro. Pena o pinheiro ser a espécie dominante por cima da aldeia, entre os quais ainda vão sobrevivendo algumas espécies autóctones com destaque para o medronheiro, o carvalho e a castanheiro bravo. Mas pelo menos existe ainda uma mancha verde que tem sido poupada pelos incêndios dos últimos anos, ao contrário da restante encosta que só agora começa a ser (parte dela) coberta por carvalhos.

 

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Mancha verde, amarelada, avermelhada ou acastanhada, vão sendo os tons e cores com que “vinha do rouquinho”, penso que é assim que ela é conhecida, se vai vestindo ao longo das quatro estações do ano, às vezes até de branco se veste, como foi o caso de há dias atrás quando a neve caiu sobre o vale. Tem sido um regalo para a vista, com o seu casario de apoio reconstruído e bem apresentado, tal como a vinha sempre bem tratada. Para ser ouro sobre azul só lhe faltam as vindimas, a festa do lagar e o fazer do vinho.

 

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A velha escola também ainda se mantém ativa, hoje como jardim de infância, de construção muito simples em perpianho de granito e uma única sala. Convive ao lado da nova escola, esta do primeiro ciclo, uma resistente no concelho pois ainda continua a funcionar com duas salas e os quatro anos do primeiro ciclo.

 

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Outra preciosidade que embora ao alcance de todos nem todos a alcançam é o cruzeiro coberto, localizado ao fundo da rua principal da aldeia, onde o casario termina e a serra começa.  Desconheço se será o seu lugar original, pois este tipo de cruzeiros costuma encontrar-se em cruzamentos de caminhos. No entanto pode ter alguma lógica a sua localização, isto a pensar noutros tempos em que o caminho da serra era utilizado pelos caminhantes que desciam e subiam a Serra do Brunheiro, vindo para a cidade ou indo para as suas aldeias no planalto do Brunheiro.

 

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Caminhantes do planalto que tinha paragem obrigatória na antiga taberna que fechou com a morte do seu último proprietário. Tabernas cuja existência se repetia em quase todas as aldeias e que hoje estão praticamente extintas. Tabernas que prestavam um verdadeiro serviço público às populações, pois para além dos comes e bebes que sempre tinha, era lá que muitas vezes existia o único telefone da aldeia como posto público, mas também uma espécie de minimercado onde havia de tudo para os lares e os campos, desde mercearias, fósforos, petróleo, venda de pão, lixivias, sabão, etc., quase tudo que fazia falta, as tabernas. Mas era também um centro de convívio e estar para crianças e adultos, cada um com os seus entreténs, onde os adultos se dedicavam mais ao simples conversar ou ao jogo de cartas, sueca principalmente, jogo do chino ou mesmo da malha, este na rua, mas também os matraquilhos para os mais jovens e crianças, esta a entreterem-se também na rua, nas imediações da taberna  com os seus jogos, do peão, do espeto ou até hóquei em patins, sem patins e onde o stick era substituído por um troncho de uma couve galega e a bola servia a dos matraquilhos. Foi também nas tabernas a maioria dos portugueses das aldeias viram pela primeira vez televisão.  Mas o melhor de tudo é que nas tabernas se podia comprar fiado, facilidade que muitos aproveitavam para poderem fazer a refeição de todos os dias… Por isto tudo fica decretado por este blog que as tabernas eram instituições de utilidade pública onde às vezes também se apanhavam umas pielas… Publique-se!

 

E com esta me bou!

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 19:01
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Sábado, 28 de Maio de 2016

Vilar de Nantes - Presente, tradição e o passado

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Vilar de Nantes, aldeia e freguesia

 

O prometido é devido e cá estamos nós com Vilar de Nantes, a aldeia atual, as tradições que se vão mantendo e um pequeno regresso ao passado não muito longínquo mas bem diferente dos tempos de hoje, muito graças à proximidade da cidade em que a freguesia ainda rural de outrora localizada nas faldas da Serra do Brunheiro,  cedeu para uma freguesia urbana de periferia, funcionando maioritariamente como um dormitório da cidade. Daí contrariar a tendência do despovoamento e envelhecimento da população de que a maioria das aldeias sofrem, sendo uma das freguesias mais populosas da cidade, a terceira mais populosa logo a seguir às freguesias urbanas de  Stª Maria Maior e Stª Cruz Trindade.

 

A tradição

 

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E se a freguesia de Vilar de Nantes cresceu, sobretudo com a construção de novos bairros (Traslar, Bairro de S.José, Lombo, Cruzeiro) com gente oriunda de outras freguesias, manteve nas suas duas aldeias (Nantes e Vilar de Nantes) os seus núcleos históricos com a sua gente de origem, a mesma que ainda vai dando continuação às tradições, sobretudo as que estão ligadas à religião e suas celebrações, como aconteceu há dois dias atrás com o Corpo de Deus e o enfeitar das ruas com passadeiras floridas.

 

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São dessas passadeiras floridas que hoje vamos dar conta, onde em cada rua ou largo fica a sua decoração por conta dos residentes nessas ruas e largos, cada uma a querer mostrar a sua arte numa rivalidade saudável de contribuir para o todo da celebração.

 

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São verdadeiras obras de arte feita de pétalas de flores da época em que o colorido vivo dos amarelos, laranjas  e vermelhos ou a brancura de outras contrastam  com os verdes escuros da folhagem. Um trabalho coletivo, comunitário de muitas horas de trabalho que vai desde a recolha das flores, a separação das pétalas, a feitura dos desenhos aquando na sua colocação no chão, a rega para as manter frescas e viçosas além de lhe dar um certo brilho, onde todos, ou quase todos, trabalham, desde as crianças, mulheres e homens.

 

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Uma arte efémera pois é realizada para durar apenas uns minutos, os suficientes para receber os passos da procissão que à sua passagem deixam as passadeiras coloridas desfeitas, mas gratificante para a fé de quem as faz e para que a tradição se cumpra como deve ser cumprida. Pela minha parte, um bem-haja para quem contribui para esta arte popular e tradicional.

 

Vilar de Nantes de ontem e de hoje

 

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1600-corpo-deus-16 (76)O mesmo local fotografado por Gerald Bloncourt,  50 anos depois

 

Embora há dois dias atrás a minha missão em Vilar de Nantes fosse de mais uma vez fazer o registo das passadeiras coloridas e procissão do Corpo de Deus, levava comigo uma segunda missão de confirmação. Mas explico melhor para melhor se entender. A fotografia além de poder ser uma arte é um precioso e valioso documento que nos pode oferecer em imagem a história dos lugares e de uma época, contribuindo assim para a própria História mas também um valioso documento de estudo para as ciências sociais, e aqui, vale mesmo aquela máxima de “vale mais uma imagem que mil palavras”.  Fotografar a nossa gente nem sempre é uma tarefa fácil, por várias razões, mas há uma que em princípio poderia ser uma vantagem para o fotógrafos que conhece e vive nas comunidades que fotografa que acaba por atraiçoá-los, pois o conhecimento dessa comunidade transforma-a também em banal.  Mas já quem nos visita e quem nos vê com os olhos de outra cultura, tem um modo diferente de olhar e captar pormenores preciosos, os mesmos que para nós são banais.

 

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O mesmo local fotografado por Gerald Bloncourt, 50 anos depois

 

Gérald Bloncourt um fotógrafo de origem haitiana dedicou-se nos anos 50 e 60 do século passado  a captar e registar momentos do povo português, principalmente a vida dos emigrantes portugueses em França.  Gérald Bloncourt regista  um quotidiano de vida difícil, até de  miséria nos "bidonvilles" (bairros de lata) que acompanhou ao longo de três décadas. Mas ao longo desse tempo veio também a Portugal, à origem desses mesmos emigrantes, focando-se, como é natural, nas terras do interior do Norte de Portugal, onde fez registos preciosos. Pois nos seus registos em Portugal, Gérald Bloncourt também passou por Chaves e por Vilar de Nantes. Da sua coleção deixo aqui hoje dois registos que o fotógrafo legendou como “Portugal 1966 – Região de Chaves”, mas que pelos dados que as fotografias nos oferecem tudo indicava serem de Vilar de Nantes. Foi precisamente o obter dessa certeza que me levou a mostrar estas fotos a naturais da aldeia que me confirmaram isso mesmo. Junto às fotos de 1966 estão as de hoje (de há dois dias), do mesmo local e mais ou menos do mesmo ângulo, precisamente 50 anos depois. As diferenças são notórias, aliás na segunda foto apenas um pequeno muro de pedra se mantém com  fontanário que estava junto ao antigo tanque. Na primeira foto, penso que só mesmo o bocadinho da Serra do Brunheiro se mantém mais ou menos igual.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:00
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Domingo, 28 de Junho de 2015

Vilar de Nantes - Chaves - Portugal

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Como hoje é domingo lá vamos nós até mais uma aldeia do nosso concelho, mas não obrigatoriamente até ao nosso mundo rural, pois a aldeia de hoje, também sede de freguesia, é uma aldeia da periferia da cidade de Chaves e a terceira freguesia com mais habitantes do concelho de Chaves, funcionando hoje em dia como um grande dormitório da cidade.

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Mas hoje não é aos novos bairros da freguesia quer queremos ir, bairros onde se concentra o grosso da nova população da freguesia, mas antes ao centro histórico da aldeia de Vilar de Nantes e ao velho casario que tem resistido à modernidade e que deixa ver ainda um pouco do ser da antiga aldeia, do tempo em que se dedicava quase por inteiro à olaria do barro preto e também à agricultura. Em suma, do tempo em que ainda era rural.

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Imagens que ainda são possíveis com a mesma identidade daquelas que Gerald Bloncourt conseguiu em 1966 e que eram possíveis em toda a aldeia e que hoje, só um olhar seletivo as permite.

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Assim, a aldeia de Vilar de Nantes está fora do rol daquelas que sofrem de despovoamento, mesmo estando já em plena Serra do Brunheiro, mas nas suas faldas, nas suas costas, pois é a veiga de Chaves e a cidade que tem como motivo no horizonte que avista.

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Quanto às imagens de Gerald Bloncourt mencionadas atrás, um destes dias vamos tentar trazê-las aqui, mostrando o mesmo motivo à distância de 50 anos. Ficam prometidas.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:13
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Segunda-feira, 8 de Junho de 2015

Corpo de Deus em Vilar de Nantes

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Hoje não faço o habitual regresso à cidade. Vou ficar em casa e como tal, a também habitual imagem de entrada na cidade não vai ser da cidade, mas de uma aldeia, ou talvez não, pois dá-se o caso de hoje em dia ser mais um bairro da periferia da cidade que propriamente uma aldeia, pelo menos a julgar pela definição que ainda ontem deixei aqui para reflexão, mas continua a ser aldeia pelo menos quanto à sua comunidade e ao seu núcleo histórico, aquele que se desenvolve sempre à volta de uma igreja ou nas suas proximidades.

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Pois hoje vamos deixar aqui a celebração do Corpo de Deus em Vilar de Nantes, celebração que aconteceu ontem num nítido desrespeito pela tradição de séculos, isto, só para que se pudesse cumprir a tradição. Mas já de seguida explico melhor isto que parece ser uma contradição, mas onde não há qualquer contradição.

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Então é assim: O Corpo de Deus, o Corpus Chisti do latim, é uma festa que celebra o sacramento da Eucaristia, instituído na última ceia, na quinta-feira santa, e daí o Corpo de Deus assinalar-se sempre numa quinta-feira, 60 dias depois da Páscoa. A origem desta festa é secular, instituída pelo Papa Urbano VI, desde logo ganhou a adesão popular, principalmente com a realização de uma processão que em Portugal se foi fazendo com as ruas decoradas com flores e as varandas e janelas com colchas e toalhas, do mais fino que as casas têm, havendo ainda algumas localidades que colocam tapetes florais no chão das ruas por onde a processão passa, como é o caso de Vilar de Nantes.

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Em Portugal sempre se cumpriu a tradição com muitas localidades a realizarem procissões ou pelo menos uma missa e, como dia santo que é, até 2012 era também feriado nacional para que a população pudesse celebrar este dia, no entanto já sabemos que o atual governo de tão preocupado que anda com o Portugal europeu, ou a pretexto disso, vai sacrificando os portugueses e as sua tradições seculares, e lá se foi o feriado e a festa de uma quinta-feira santa.

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Daí o desrespeito pela tradição e a procissão que deveria ter acontecido na quinta-feira santa passada passou a acontecer domingo e tal como diria Torga “Que povo este! Fazem-lhe tudo, tiram-lhe tudo, negam-lhe tudo, e continua a ajoelhar-se quando passa a procissão” … mas isto são contas de outro rosário, pois o que quero mesmo trazer aqui hoje é mesmo a procissão e a tal comunidade que existe nas aldeias que neste caso, Vilar de Nantes, é uma das que bota toalhas e colchas nas varandas e janelas e colocam tapetes florais no chão.

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Procissão que, confesso, foi a primeira vez que assisti em Vilar de Nantes, e quase por mero acaso, não fosse um colega e amigo ter-se oferecido para me tratar das heras do jardim e das pétalas das rosas para atapetar um troço de rua e eu continuaria a descer à cidade para ver uma procissão que acontece aqui tão perto e bem mais enfeitada.

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Pois já que a tinha descoberto resolvi ir até lá atempadamente, assistir a azáfama do decorar das ruas, onde os vizinhos de cada rua quer fazer melhor e mais bonito que as ruas vizinhas, tudo a bem do conjunto e até há, quem não tendo rua com passagem de procissão se voluntaria para decorar uma rua mais abandonada de vizinhos, e depois também quis ir ver as minhas heras e pétalas das rosas a fazer bonito, e foi bonito, sim senhor.

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Certo que algumas ruas foram mais prendadas que outras, com colorido e desenhos de atrair o olhar e a apreciação, e os vizinhos sentem-se orgulhosos na apreciação, mas no final o que vale mesmo é o conjunto e que não haja troço de rua onde a procissão passar que fique sem tapete florido.

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E tudo é feito com amor à tradição e à procissão, pois só assim se entende que se faça uma obra de arte para ser completamente destruída com a passagem da procissão que faz com que todo o trabalho, porque sou testemunha dá trabalho, não seja trabalho inglório, e para o ano, ainda há de ser mais bonito, assim haja flores e verdes à mão.

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Pois por aqui em imagem tento deixar o trabalhar de cada rua, as obras de arte e a procissão. Transpirei a bom transpirar para o conseguir, tanto mais que o calor convidada a transpirar mas também a refrescar, e lá vamos nós outra vez para a tal comunidade de aldeia onde se mata sempre a sede a quem a tem, pois há sempre uma porte que se abre e que nos convida ao refrescar e já há muito que aprendi que é de má educação recusar. Eu nunca recuso.

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E prontos. Sei que não é lá muito correto este remate do “prontos”. Os puristas da língua olham para ele de lado, mas dá jeito para rematar e depois estamos a falar de tradições e aldeias, onde não há caganças dessas, e as pessoas se vão entendendo com o português popular, com ou sem acordo ortográfico…

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Ficam então as imagens, algumas das muitas que por lá tomámos, imagens que queremos repetir e que podem servir de convite para quem não tem nada que fazer neste domingo que agora também do Corpo de Deus, pelo menos até 2017, foi a promessa, mas como já estamos habituados a que as promessas não sejam cumpridas pelos políticos, vamos lá ver se será ou não que 2017 terá de regresso o Corpo de Deus de regresso ao seu dia, na primeira quinta-feira passados que são 60 dias após a Páscoa.

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Fica então a imagem da passagem da procissão na última rua do percurso

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E a entrada na igreja de Vilar de Nantes, onde termina a procissão e se passa à missa do Corpo de Deus.

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Por nós, até para o ano.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:00
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Sábado, 13 de Novembro de 2010

Vilar de Nantes - Chaves - Portugal

 

 

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INTRÓITO

 


Para quem entra em Chaves há um elemento natural que é dominante e marcante, pois teima em deixar-se ver quase de tudo quanto é lugar e sítio – a Serra do Brunheiro – da qual, grande parte do que é visível, pertence a Vilar de Nantes.  Segundo a minha contabilidade, é esta precisamente a única aldeia que faltava passar por aqui com o seu post alargado. Pois chegou o seu dia.

 

Foi ficando para o fim, mas a sua vez tinha de chegar e chegou, fechando assim o ciclo dos posts alargados dedicados às aldeias, mas também às freguesias e aos respectivos mosaicos de freguesia, pois já todas as freguesias rurais foram contempladas com um post e mosaico.

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Três freguesias ficam de fora destes fins-de-semana rurais, precisamente as freguesias urbanas da cidade, nomeadamente a freguesia de Santa Maria Maior, Madalena e a recente freguesia de Santa Cruz/Trindade, embora, a da Madalena tivesse aqui as suas aldeias e lugares rurais, como a Ribeira das Avelãs e um post conjunto para o Prado, Quinta da Condeixa e Sr. da Boa Morte.

 

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Penso não ter esquecido nenhuma aldeia e quanto às freguesias urbanas, Santa Maria Maior é “cliente” assídua deste blog, tal como a Madalena, talvez só Santa Cruz/Trindade se possam queixar de não passar por aqui, mas também esta freguesia terá aqui o seu destaque, com aquilo que tem de melhor e que até é uma referência para a cidade de Chaves, mas lá chegará o dia, pois hoje, é para Vilar de Nantes aldeia que vamos, mas também para o seu mosaico de freguesia.


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AS RAZÕES


Há duas razões por esta aldeia e freguesia ter ficado para o fim. Primeiro porque como me ficava à mão, era um trunfo para numa falha de reportagem fotográfica de uma aldeia qualquer, poder cumprir aqui os fins-de-semana rurais. A outra razão foi pelo facto de ser esta a freguesia que habito há mais de 20 anos e não querer que alguém, porque há sempre alguém que diz não ao vento que passa, dissesse que isto, que aquilo, que a minha (dele)  aldeia nunca mais e que a dele (minha) já passou, etc, coisa e tal. Já sabemos que há gente para tudo e mais alguma coisa…pois para evitar tal, a sacrificada na espera, foi a minha freguesia de residência, por sinal, já minha velha conhecida desde a nascença, pois é a freguesia mais próxima do meu berço.


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DA ALDEIA TRADICIONAL À NOVA FREGUESIA e NOVA GENTE


Considerandos à parte, vamos então até Vilar de Nantes, aldeia, pois a freguesia fica lá mais para o fim deste post, embora no entusiasmo das palavras também (pela certa) vá falando da freguesia.


Segundo um ditado popular da aldeia, diz-se que “Em Vilar é passar e não refilar”, pois vamos então a essa passagem, sem refilar muito.

Vilar de Nantes, núcleo, fica nas faldas da Serra do Brunheiro, seguindo a antiquíssima tradição de localizar as aldeias nas terras mais elevadas e menos férteis, deixando as suas terras com mais potencial agrícola, precisamente para a agricultura, que a par das crias que tinham em casa (os recos, as galinhas, os coelhos), e alguma caça, cultivavam as terras para dela tirar o resto do sustento, com batatas, cereais, produtos hortícolas, fruta e vinho.


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Embora Vilar de Nantes faça praticamente a divisão entre a Serra e o Vale, com sustento por um lado da agricultura e do outro com a floresta e caça, sempre teve outras actividades, já longínquas e que tiveram durante muitos anos a sua importância económica e comercial, talvez mais que a agricultura e a floresta. Refiro-me à olaria e à cestaria, artes e actividade pelas quais Vilar de Nantes era sobejamente conhecida, não só em Chaves e concelho, mas um pouco por toda a região e até Portugal. Mas a Olaria e a Cestaria, se possível, serão os temas de amanhã, pois pela sua importância merecem um post a si dedicados.


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Actualmente embora Vilar de Nantes ainda mantenha o seu núcleo tradicional consolidado, com alguns penetras, mas ainda perfeitamente identificável, que como todos se desenvolviam a partir de largo principal ou rua onde se localizava a Igreja, hoje está longe de ser como era, sendo a agora, na prática, mais uma aldeia e freguesia urbana, a um passo da cidade, que embora com algumas actividades de pequenas indústrias, comerciais e serviços, estes até de alguma importância, funciona mais como um dormitório de Chaves, principalmente em Vilar de Nantes que saiu do núcleo e se foi espraiando pelo seu território de freguesia, com aglomerados (bairros) que são autênticas aldeias urbanas, como a TRASLAR (uma cooperativa de habitação), o bairro anexo do Loteamento de S.José e o Lombo, tudo fruto do boom da construção e do alargamento da cidade que foi ocorrendo a partir dos anos 80, com principal incidência nos últimos 20 anos e que, por estas bandas, ainda continua. Com excepção da TRASLAR onde o grosso das construções é de três pisos habitacionais, quase tudo o restante são moradias unifamiliares isoladas, geminadas ou em banda contínua, salvo raras excepções.


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Depois de a freguesia de Outeiro Seco ter sido vítima da modernidade, cedendo grande parte do seu território para a freguesia urbana de Santa Cruz/Trindade, Vilar de Nantes assume-se como o 2º ou 3º aglomerado com mais população. Os Censos do próximo ano [se tal acontecer, pois a crise económica, financeira e também política, (pois tudo pelo que vamos passar se deve em muito à incompetência dos políticos) não sei se o permitirão] dirão qual o número de habitantes que cabe a cada freguesia. Mas também este assunto será tratado mais à frente, com os respectivos números e gráfico do comportamento da população residente.


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Claro que como freguesia urbana que o é na prática e o inevitável crescimento do casario, as duas ou três aldeias históricas e tradicionais da freguesia, a saber: Vilar de Nantes, Nantes e Vale de Zirma -  estão na prática unidas fisicamente, com excepção para as Campinas (continuo na dúvida a quem pertencem), por força das condicionantes construtivas em zona de Barreiros. As aldeias uniram-se fisicamente, mas apenas isso, pois como em todas as aldeias de periferia da cidade, as novas casas (moradias) e os seus habitantes, vivem à margem das aldeias tradicionais, pelas mais variadas e conhecidas razões. Primeiro por uma falta de identidade e berço para com as aldeias tradicionais, pois a grande maioria destas novas construções, trouxe também nova gente para a vizinhança desta aldeias, sem um laço que as una historicamente,  afectivamente ou familiarmente  a elas. Segundo porque as aldeias tradicionais têm tendência a fecharem-se “contra invasores” [(sic) , é assim que alguns – até responsáveis – pensam] embora por Vilar de Nantes tal até nem aconteça, a animosidade, mas acontece naturalmente, por uma terceira razão, ou seja, as pessoas não se conhecem ou apenas se vão conhecendo de vista, pois as exigências da vida urbana e os actuais dias da modernidade, fazem com que os novos habitantes utilizem as suas casas como o local privilegiado para se dedicarem aos seus tempos livres, de ócio e de convivo, restrito a alguns amigos e familiares. A vida e convivência comunitária de rua e do café do largo principal, resume-se na prática ao núcleo tradicional da aldeia e aos habitantes naturais da aldeia, embora aqui e ali, novos espaços de convívio se tivessem gerado, mas ou são restritos ou impessoais sem o espírito familiar e de vizinhança que as antigas aldeias proporcionavam, onde todos se conheciam a todos e quase todos eram ou familiares, amigos e vizinhos.

 

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É assim um pouco por todas as aldeias e freguesias de periferia que abriram portas ao alargamento da cidade e receberam os habitantes das freguesias rurais, principalmente os emigrantes regressados, que preferiram construir casa nas redondezas da cidade em detrimento das suas aldeias natais. Um fenómeno associado ao êxodo rural e à incapacidade (leia-se também incompetência) da classe política governante travar esse êxodo, não lhes proporcionando meios para uma vida atractiva e digna nesse mesmo mundo rural, antes pelo contrário, tudo fazendo para tornar cada vez mais atractivas as cidades, principalmente os grandes centros com especial incidência nas do litoral e na proximidade de Lisboa e Porto. Um dia se lamentará e, Deus queira que me engane, não se comece já a lamentar profundamente nos tempos que agora se estão a iniciar.

 

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UM POUCO DE HISTÓRIA e TRADIÇÃO


Quanto à história de Vilar de Nantes e da freguesia, quer da mais antiga ou até da menos antiga, baseia-se um pouco em suposições dos historiadores locais e até nacionais. Por parte dos historiadores locais, J.B.Martins inventariou um suposto povoado fortificado castrejo do Facheiro, junto ao Senhor da Bandeira (que se localiza mais ou menos a meio da encosta do Brunheiro virada para a cidade de Chaves). No entanto não existem provas concludentes de tal povoado. De entre a população mais antiga de Nantes já ouvi afirmar terem ouvido aos seus pais e avós, que no meio do Brunheiro havia uma aldeia do mesmo nome (Brunheiro). Também os topónimos existentes em Vilar de Nantes de “Bandeira” e “Facho”  podem-nos levar a crer terem existido pelo Brunheiro instalações de sinalização, quer luminosos (fachos) que de bandeiras. Em ambos os casos são sistemas de comunicações muito antigos que no entanto chegaram até ao Séc. IXX.


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Também a longa tradição da olaria em terras de Vilar de Nantes podem remontar ao período da romanização, pois é natural que tal acontecesse sabendo que os romanos aproveitavam todos os recursos naturais por onde iam passando e assentando povoados. No entanto, tudo são suposições.

 

Claro que nestas coisas da história antiga, sem vestígios ou testemunhos físicos, não se poderá passar além da suposição ou da probabilidade de…, ou quase pela certa que…. Quase toda a história que não se pode provar é feita um bocado de entendimentos e acordos entre os profissionais na matéria, ou como alguém a definiu: “ a história é feita por um conjunto de mentiras às quais se chegou a um consenso”. Não sei a quem atribuir esta palavras, mas o facto é que as registei e são bem conhecidas.  Claro que se essas suposições forem levantadas por mim, por muita lógica que tenham e probabilidades, como não pertenço ao lobby dos historiadores, não passarão de baboseiras minhas ou puros devaneios, mas se uma probabilidade for levantada por um perito na matéria com nome na praça, de probabilidade passa logo a verdade absoluta. Tudo isto para chegar a Luís Vaz de Camões, o poeta de Portugal adorado por tantos e contestado por alguns.

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Pois há coisa de uns anos atrás, José Hermano Saraiva, sem dúvida alguma o historiador mais conhecido em Portugal e, popularmente,  de todos os portugueses (em grande parte ao seu programa televisivo) tal como descobriu em Vilarelho da Raia uma oliveira que está plantada em Espanha cuja azeitona cai em Portugal, também pelas origens da família de Camões, que se diz Galega, teria passado para terras portuguesas e assentado arraiais em Vilar de Nantes. Dedução essa feita por um apelido Camões que teria existido (não sei se ainda existe) em Vilar de Nantes e que a julgar pela cronologia dos tempos,  Vilar de Nantes seria a terra dos avós e pai de Luís Vaz de Camões. Pois palavras vindas de tão ilustre historiador e ainda por cima ditas na televisão, acenadas que sim pelos historiadores locais,  passaram logo para placa à entrada de Vilar de Nantes onde reza: «VILAR DE NANTES TERRA DO PAI E AVOS DE CAMÕES” e venha daí que prove o contrário. O que não deixa de ser curioso, é que não se sabe ao certo onde Camões nasceu, mas “sabemos” que o pai, avô e avó são de Vilar de Nantes, já quanto à mãe, não se sabe nada, mas poderia muito bem ser de Travancas, pois sabe-se que o apelido Vaz é muito comum por lá. Mas isto, são baboseiras minhas e como tal, é melhor ficar-me por aqui, não vá vir por aí alguém como o outro do fim-de-semana passado a dizer que eu isto, eu aquilo…

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Já quanto a “tradições” e nome, Vilar de Nantes  é bem mais rica que a sua história, principalmente aquela que lhe está associada à olaria de barro preto e também à cestaria, que tal como outras aldeias do concelho (Vidago e as suas águas, Soutelo e as suas mantas ou Cambedo e os seus pimentos, por exemplo), ficaram conhecidas pelos seus produtos que tão bem produziam ou fabricavam e vendiam em Chaves e toda a região, mas sobre estes dois assuntos, falamos amanhã ou depois.


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Já quanto ao seu património religioso e à sua existência (história)  paroquial, aí já as coisas já diferentes, pois há documentos do século XII que atestam os lugares de Nantes numa doação à Sé de Braga. Nas “Inquisições” de 1258 ordenadas por D.Afonso III, alude-se à povoação de Nantes como parte integrante do Julgado e Montenegro que conjuntamente com Faiões e Agostém davam lugar a um território conhecido como “Vale de Sancto Stephano”. Documento esse que atribui a então a posse das terras de Nantes a Fernão Fernandes Cogomilho e seus irmãos.


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Certo bem certo é também o seu património religioso actual com alguns cruzeiros, a Capela de Santa Ana em Nantes, a Igreja Matriz em Vilar, um belíssimo exemplar de arquitectura religiosa que pertenceu ao Padroado da Casa de Bragança, a capelinha da devoção ao Divino Espírito Santo com representação em pintura mural abrigada pela galilé, a isolada Capela do Senhor da Bandeira lá bem no meio da encosta do Brunheiro  onde se realiza anualmente a festa do Senhor da Esperança, a Capela de Nossa Senhora do Socorro em Nantes,  do antigo Hospício da Convalescença, fundado em 1677 e a referência à antiga existência de uma Capela particular de Santa Bárbara  em Vale de Zirma fazem o acervo patrimonial artístico e religioso da freguesia.


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Ainda relacionada com a Capela do Senhor da Bandeira existe uma lenda que diz, que há mais de um século, passaram pelo lugar dois homens que andavam perdidos no nevoeiro. Desorientados e desesperados era já noite avançada quando ouvem então cantar um galo. Estamos perto de uma aldeia, diz um deles, radiante de contentamento, se ao amanhecer estivermos sãos e salvos, havemos de erguer aqui um cruzeiro com a cruz do Senhor da Esperança. Pernoitaram debaixo de uma fraga e pela manhã, ao clarear do dia, os homens seguiram o seu caminho orientados pela aldeia. Não se esqueceram da promessa que os livrou de tamanho desespero e mandaram erguer o cruzeiro.

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Costuma-se dizer que não há uma sem duas, nem duas sem três, mas fiquemo-nos pelas duas, pois há outra lenda associada ao mesmo local, esta já depois de existir o cruzeiro do Senhor da Esperança, em que outros dois homens, irmãos, que andavam a construir uma barragem no vale de Chaves, vendo os seus trabalhos destruídos pelas águas, subiram ao Sr. da Esperança e junto ao cruzeiro apelaram e prometeram ao Senhor que se as águas não destruíssem mais a sua barragem, naquele local, junto ao cruzeiro, haveriam de construir uma capela em sua honra onde anualmente celebrariam uma cerimónia também em sua honra. A barragem nunca mais rebentou e os dois irmãos mandaram construir a Capela, onde, ainda hoje se celebram as festas em sua honra.


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Ainda dentro do património da aldeia, agora o civil, há a referir um pequeno mas belíssimo edifício, com torre sineira, cata-vento e relógio que foi construído para escola, inaugurada em 1935, cujos custos da construção foram suportados pelo benemérito José Gomes, emigrante no Brasil. Funcionou como escola até há pouco mais de uma dezena de anos atrás, sendo desde aí abandonada vindo a degradar-se de dia para dia. Como se isso não bastasse, também há uns bons anos atrás, permitiram que a partir da escola nascesse uma nova construção, ao que apurei destinada a uma associação, mas que nunca foi concluída. De momento, o espaço mete dó e merecia melhor fim.


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Aparentemente, estruturalmente e de telhado está ainda em bom estado e seria a altura ideal para recuperar e dar-lhe um fim de interesse público ou comunitário, pois dói ver assim a antiga escola e, só ganhava se demolissem  o anexo que lhe adossaram (o tal que não foi concluído) ou a teimar levá-lo adiante, pelo menos seguir as características construtivas com materiais idênticos ao da velha escola, mantendo ou imitando a sua traça inicial, ou seja, mantendo a sua beleza sem elementos estranhos encostados a ela. Mas urgente-urgente, é mesmo recuperar e preservar, afinal de constas, cuidar daquilo que foi doado à população por um benemérito. Merecia essa atenção. Mas mais uma vez, a coisa pública (sem saber de quem é a propriedade) cai sempre em desgraça, quando deveria dar o exemplo. O mesmo se vai passando com o parque escolar abandonado por esse concelho fora, maltratadas e vandalizadas até à ruína final, e se assim continuar, nada delas restará para a memória dos que lá aprenderam a ler e escrever.

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EQUIPAMENTOS COLECTIVOS, FÁBRICAS E AFINS


Comecemos pelos equipamentos onde a Santa Casa da Misericórdia ter um lar de terceira idade, o Lar de Santa Isabel, de construção ainda recente e inaugurado pelo então Presidente da República Dr. Jorge Sampaio.


Mesmo ao lado deste lar existe uma outra instituição, a o Patronato de S. José. Mas sobre este patronato deixo-vos com parte de uma notícia publicada no semanário a Voz de Chaves na sua edição de  9/07/2010


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(…) O Patronato de São José de Vilar de Nantes tem diferentes valências para crianças de várias idades. Uma delas, alberga 30 raparigas sem retaguarda familiar e que fazem daquela instituição o seu lar.


Com casa nova desde o ano passado, as dificuldades continuam. “Temos um empréstimo à volta, ainda, dos 350 mil euros” comentou à A Voz de Chaves a Irmã Superiora Augusta. É o preço de uma maior comodidade às utentes, só possível graças a empréstimo bancário.

Depois de quase extintas as necessidades de alojamento, que proporcionam condições acima da média, com auditório, lavandaria, gabinetes médicos, entre outros, a responsável continua a afirmar que precisavam de voluntários para actividades extra-curriculares.


“Gostávamos muito que houvessem pessoas que se disponibilizassem a dar uma contribuição ao nível do ensino da música, da pintura, da dança, etc. Temos meninas com muito talento e é uma pena que essas vertentes não sejam exploradas”, referiu a Irmã Superiora Augusta.


Uma preocupação que surge quando pensa no futuro do grupo de crianças e adolescentes, dos 3 aos 18 anos, na teoria, porque na prática quando atingem a maioridade, “não têm para onde ir e acabam por ficar”, explicou a Irmã Superiora Augusta.


Guiadas pela fé, a Irmã Augusta e a Irmã Teresinha lembram que vão vivendo o “dia a dia” e o pior já passou: “isto é agora. Estou cá há 17 anos e chegavam a dormir duas em cada cama”, lembrou a Irmã Teresinha.


De visita à casa que acolhe as meninas, encontramos quadros com pinturas de algumas residentes. Foi nesse contexto e à pergunta de quais eram as principais carências da instituição que a Irmã Superiora Augusta explicou que “o nosso sonho é ocupar as nossas meninas com algo útil.

Durante a semana, a escola ocupa o dia quase todo, mas ao fim-de-semana era um sonho ter um professor de música, de dança, de pintura ou de qualquer arte para que se possam desenvolver capacidades e gostos nelas”. (…)


Poderá ler o resto da notícia aqui: A Voz de Chaves


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Ficou só este extracto da notícia para dar a conhecer um pouco desta instituição que merece a atenção, carinho e apoio de todos nós e que com carências económicas onde os donativos de toda a espécie são sempre bem recebidos, vão pedindo também algum voluntariado para ajudar a formar e ensinar as suas residentes. Quem sabe se estas palavras não vão tocar em alguém que poderá dispensar alguns dos seus conhecimentos para ajudar colmatar as carências desta casa.


Mas esta instituição merece mais que ser abordada aqui superficialmente num post dedicado à aldeia e talvez um dia tenha por aqui um post a sério a ela dedicado.


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Passando já para outros campos, podemos ir mesmo para o campo de aviação ou aeródromo da cidade, pois também é em terras de Vilar de Nantes que ele está implantado. Como sonhar não custa, há mais de 20 anos que a Câmara Municipal sonha com um aeródromo a sério, fora da cidade e com condições para receber outro tipo de aeronaves, maiores. Primeiro foi “aeroporto”  de Redondelo, com projectos, expropriações, muita papelada e muito paleio à sua volta e tão rápido apareceu como se deixou de falar dele. Nada de obra. Depois o “aeroporto” inter-municipal ” Chaves-Valpaços”. Também penso que já não se fala nisso… talvez daqui por uns dias surja o “aeroporto internacional” da Euro cidade Chaves-Verin, quem sabe! Entretanto é o aeródromo de Vilar de Nantes ou do Campo da Roda que vai vendo as rodas das avionetas, alguns helicópteros e um mais grandito da força aérea a rodar na pista.


Na sua envolvência há também um kartódromo onde os aceleras dos carros pequeninos vão fazendo as suas delícias envolvidos de adrenalina.


Também ainda na envolvência há as famosas e mais antiga indústria de Chaves, as telheiras que já vão longe da pujança de há 30 ou 40 anos atrás, em que três fábricas estava a funcionar a fazer tijolo e telha para as construções da região. Com a entrada em força do betão e suponho que outras fábricas concorrentes de fora da região, agora apenas uma das fábricas está a produzir e todas (penso eu) foram adquiridas aos antigos proprietários e famílias a elas ligadas por um único proprietário, que curiosamente começou no negócio da areia e do betão.

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Fábricas aparte vamos para o último tanoeiro de Chaves ainda a laborar, que também tem instalações nas imediações do aeródromo e ao qual este blog já em tempos dedicou um post. E já que estamos nas imediações, uma referência ao Aeroclube de Chaves, que embora tenha os aviões como referência, é um autêntico ocupador de tempos livres de verão para alguma da juventude flaviense. De senão, apenas o ser reservado a associados.


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Pela proximidade da cidade e pelos bons acessos que tem até esta, embora concentrados em duas estradas e com um ponto negro onde ambas se encontram (EN314 e EN 213), vão-se distribuindo pelo território da freguesia um pouco de todas as actividades, desde sector primário ao terciário. Certo que a agricultura, a floresta ou o que resta dela (incêndios) e os barreiros destinados a fornecer matéria prima para as telheiras ocupam a maior parte do território desta freguesia, mas nem por isso ocupam a sua população nestes sectores, dado que, tal como já atrás referi, a freguesia é também um dormitório da cidade e tem nela implantada uma diversidade de outras actividades, que além daquelas que já referi (Lar de Terceira Idade, Patronato, Telheiras, etc) vai tendo desde os serviços a pequenas e médias indústrias, oficinas, restaurantes, bares, uma residencial, um hotel, dois empreendimentos de turismo rural, uma discoteca, posto de abastecimento de combustíveis com loja de conveniência e algum comércio. É tipicamente uma freguesia de periferia bem notória nas horas de ponta de acessos e saídas da cidade onde a população da freguesia se desloca para a cidade e outra população vinda de outras freguesia e da cidade têm nesta freguesia os seus empregos.

 

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Deveria ser uma freguesia a ter em conta para a instalação de alguns equipamentos de utilidade pública onde ainda se poderiam fazer acessos dignos e com espaços para infra-estruturas de apoio, nomeadamente em termos de ensino e saúde, podendo servir a população da freguesia bem como grande parte das freguesias da margem esquerda do Tâmega, em vez de se concentrar tudo na cidade onde, graças à densidade construtiva, já não é possível fazer acessos dignos, estacionamentos e as necessárias zonas verdes e de estar que a envolvência da maioria destes equipamentos públicos deveriam ter. Mas infelizmente a modernidade manda concentrar tudo ao molho (mesmo sem a fé em Deus). Mas não é só pela (ainda) disponibilidade do seu território e de condições (também ainda) para se poder planear com pés e cabeça que digo isto, mas também pelo que já atrás referi de em termos de população será 2ª ou 3ª freguesia do concelho com mais população.

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Potencialidades a estas aldeias, principalmente a Vilar de Nantes e um pouco por toda a freguesia, não faltam. A Serra do Brunheiro, por exemplo, que também é a menina dos olhos de Chaves, pelo menos em visibilidade e afirmação física, poderia bem ser um atractivo para as mais diversas actividade de montanha, principalmente as actividades ligadas ao turismo e desporto de natureza e montanha. Às vezes ainda se ensaiam por lá umas actividades que, talvez por serem interessantes e até de interesse para a cidade, pouco duram, tal como foi o caso de 2 ou 3 campeonatos de Downhill, que trouxeram a Chaves os craques nacionais (sendo um ou dois deles até residentes na cidade), que trouxeram atrás de si as televisões e os jornalistas da especialidade…mas enfim, como não é futebol já não é desporto.


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E vai sendo tempo de terminar este post, que terá já em continuação o respectivo mosaico da freguesia, mas também ainda um outro post dedicado às actividades que sempre deram nome a Vilar de Nantes – a Olaria e a cestaria, mas esses, ficam para amanhã, ou para o próximo fim-de-semana, logo se verá se outros afazeres e o tempo dos relógios mo vão permitir.

 

Até já.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:33
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