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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

24
Jul20

Vivências

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Algarve

 

Podemos viajar por todo o país, tanto pelas velhinhas estradas nacionais como pelas modernas autoestradas, que nunca encontraremos nenhuma placa que indique “Minho”, “Trás-os-Montes”, “Beira Baixa” ou o nome de qualquer outra região de Portugal. Mas há uma exceção… Quando passamos Lisboa, em direção ao Sul, a par com a indicação das localidades por onde vamos passando, a palavra “ALGARVE” (assim mesmo, em maiúsculas, muitas das vezes) começa a aparecer de forma regular, num destaque perfeitamente despropositado que quase nos leva a pensar que este é o único destino que realmente interessa a quem viaja por estas estradas… De repente, é quase como se estivéssemos a viajar para outro país…

 

Chegados ao ALGARVE, aquele Algarve das praias e do turismo por todo o lado, não estamos noutro país, mas quase parece, pois as diferenças são tantas que é impossível não reparar nelas. Para onde quer que olhemos só vemos referências a hotéis, aparthotéis, aldeamentos turísticos, parques aquáticos, quase sempre com nomes a invocar o mar, o sol ou a praia, e a maioria das vezes em Inglês: Village, Club, Ocean, Beach… Os cafés e restaurantes, e até mesmo o restante comércio, acompanham também esta realidade e apresentam a sua oferta em Inglês, e muitas vezes também em Francês e em Alemão. Onde quer que se vá, quer seja a praia ou o supermercado, vêem-se turistas, muitos turistas e as palavras que mais ouvimos são estrangeiras… Na receção do aparthotel onde ficamos hospedados - e um pouco por todo o lado, diga-se de passagem - abundam folhetos a promoverem passeios de barco, expedições em todo-o-terreno, passeios de BTT, aulas de golfe, aulas de mergulho…enfim, toda uma infinidade de atividades para nos inserir ainda mais neste movimento gigantesco de gente e mais gente…

 

Descanso? Silêncio? Por aqui é um pouco difícil… Para mim, uns dias neste ALGARVE dos turistas servem, essencialmente, para mudar de ares, ver novas paisagens durante a viagem, e esperar pela placa “Leiria” no regresso a casa…

 

Luís Filipe M. Anjos

Páscoa de 201



17
Jul20

Vivências

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Algarve

 

Podemos viajar por todo o país, tanto pelas velhinhas estradas nacionais como pelas modernas autoestradas, que nunca encontraremos nenhuma placa que indique “Minho”, “Trás-os-Montes”, “Beira Baixa” ou o nome de qualquer outra região de Portugal. Mas há uma exceção… Quando passamos Lisboa, em direção ao Sul, a par com a indicação das localidades por onde vamos passando, a palavra “ALGARVE” (assim mesmo, em maiúsculas, muitas das vezes) começa a aparecer de forma regular, num destaque perfeitamente despropositado que quase nos leva a pensar que este é o único destino que realmente interessa a quem viaja por estas estradas… De repente, é quase como se estivéssemos a viajar para outro país…

 

Chegados ao ALGARVE, aquele Algarve das praias e do turismo por todo o lado, não estamos noutro país, mas quase parece, pois as diferenças são tantas que é impossível não reparar nelas. Para onde quer que olhemos só vemos referências a hotéis, aparthotéis, aldeamentos turísticos, parques aquáticos, quase sempre com nomes a invocar o mar, o sol ou a praia, e a maioria das vezes em Inglês: Village, Club, Ocean, Beach… Os cafés e restaurantes, e até mesmo o restante comércio, acompanham também esta realidade e apresentam a sua oferta em Inglês, e muitas vezes também em Francês e em Alemão. Onde quer que se vá, quer seja a praia ou o supermercado, vêem-se turistas, muitos turistas e as palavras que mais ouvimos são estrangeiras… Na receção do aparthotel onde ficamos hospedados - e um pouco por todo o lado, diga-se de passagem - abundam folhetos a promoverem passeios de barco, expedições em todo-o-terreno, passeios de BTT, aulas de golfe, aulas de mergulho…enfim, toda uma infinidade de atividades para nos inserir ainda mais neste movimento gigantesco de gente e mais gente…

 

Descanso? Silêncio? Por aqui é um pouco difícil… Para mim, uns dias neste ALGARVE dos turistas servem, essencialmente, para mudar de ares, ver novas paisagens durante a viagem, e esperar pela placa “Leiria” no regresso a casa…

 

Luís Filipe M. Anjos

Páscoa de 2015

 

 

12
Jun20

Vivências

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O fim do Secundário… há 30 anos

 

Estamos em junho de 2020. Há precisamente 30 anos concluí o 12º ano na Escola Secundária Dr. Júlio Martins, muitas vezes ainda chamada a “Técnica”, devido à sua tradição no ensino técnico ao longo de várias décadas.

 

Turma 11º D - Técnico Profissional de Secretaria

 

Quis o destino que fizesse parte da primeira turma do Curso Técnico Profissional de Secretariado, iniciado no 10º ano. O facto de sermos uma turma pequena (15 alunos) e termos professores extremamente dinâmicos (principalmente a nossa coordenadora de curso, a Professora Maria Arminda Machado) permitiu que as nossas aulas fossem muito para além da mera exposição de conteúdos. Em disciplinas como Português ou Filosofia aprendíamos a pensar e a questionar, e nas aulas práticas simulávamos um verdadeiro ambiente de empresa, com a atribuição de responsabilidades, definição de tarefas e de prazos para a sua execução.

 

As visitas de estudo ao Porto eram um dos pontos altos do ano letivo e nelas fazíamos questão de incluir funcionários não docentes, lado a lado connosco e com os nossos professores (recordo-me da participação, do Sr. Pavão, da secretaria, e da D. Céu, telefonista). Visitámos, entre outros, os estúdios da RTP, a empresa de computadores IBM, o Palácio da Bolsa, a central dos CTT, e o jornal “Público”. Estas visitas incluíam também uma vertente um pouco mais lúdica e recordo-me da visita ao Castelo do Queijo, na Foz, ao Monte da Virgem, em Gaia, ao Shopping Brasília, na Boavista, e até de uma ida ao cinema, no ano em que a visita se estendeu por dois dias…

 

Turma 12º D - Técnico Profissional de Secretaria

 

O contacto com a realidade do mundo do trabalho sempre foi uma preocupação e por isso efetuámos também algumas visitas de estudo em Chaves. Estivemos nas instalações da Caixa Geral de Depósitos, num gabinete de contabilidade, e na estação dos CTT, onde me recordo do absoluto espanto de toda a turma ao ver uma mensagem enviada de Vila Real sair impressa de um telefax, ali à nossa frente, em Chaves…

 

E, assim, ao longo dos 3 anos do curso, adquirimos conhecimentos e desenvolvemos competências, mas sobretudo, e principalmente, crescemos para a vida…

 

Luís Filipe M. Anjos

Leiria, junho de 2020

 

 

15
Mai20

Vivências

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Um café em Espanha

 

Um almoço, um jantar, ou até um simples café, podem proporcionar-nos uma satisfação bem diferente, dependendo do momento, do local onde estamos ou das pessoas que nos acompanham.

 

Corunha, dezembro de 2016. Acabámos de visitar o Parque de São Pedro, um antigo ponto defensivo onde sobressaem dois impressionantes canhões de defesa da costa, que foi magnificamente convertido num imenso parque impecavelmente cuidado e que é, sem dúvida, o melhor miradouro para a cidade.

 

São quase três da tarde e é hora de almoçar (em Portugal, em circunstâncias normais, já teríamos, obviamente, almoçado, mas nestes dias em Espanha, sem compromissos, os nossos horários andam um pouco diferentes…). Para não nos demorarmos mais, entramos no restaurante ali mesmo no parque e almoçamos calmamente: “primero plato”, “segundo plato”, “postre” e, para terminar, um café.

 

Qualquer português que saia de Portugal sabe da dificuldade que é tomar um bom café no estrangeiro - ou nos sai um café desenxabido, ou pedimos normal e vem exageradamente curto, ou pedimos cheio e mais parece servido numa chávena de chá… Pergunto ao empregado como é servido o “café solo”, que em Espanha é geralmente o mais próximo do nosso café expresso. Ele apercebe-se que somos portugueses (talvez já se tenha apercebido antes, mas só agora o demonstra) e pergunta-me como se pede um café em Portugal. Pode ser simplesmente “café”, digo eu… Ele acena-me que não com a cabeça, como quem está mentalmente à procura de outra palavra. Também pode ser “bica”, ou então… “Eso es… uma bica” - interrompe ele, sorrindo. Uns breves minutos depois eis que chegam os nossos cafés e… surpresa… Delta!

 

E, assim, no final de um agradável almoço em família, com a imensidão do Atlântico, a Torre de Hércules, a Praia de Riazor e toda a cidade da Corunha como moldura, lá em baixo, saboreamos um fantástico café Delta…que, pelo momento, pelo local e pela companhia nos soube maravilhosamente bem...

 

Luís Filipe M. Anjos

Corunha, dezembro de 2016

 

 

10
Abr20

Vivências

vivenvias

 

São Salvador do Mundo

 

 

Chaves. Agosto de 2019. Estamos a chegar ao fim de uns dias com a família e, tal como já fizemos em outras ocasiões, queremos aproveitar o regresso a casa para conhecer um pouco mais do nosso país. As alternativas são duas: a cascata das Fisgas de Ermelo, no Parque Natural do Alvão, ou o Miradouro de São Salvador do Mundo, na região do Douro. A decisão acaba por ser tomada apenas na véspera da partida, e já à hora do jantar, mas ainda muito a tempo…

 

A viagem inicia-se com o trajeto normal até Vila Real. Segue-se a EN 322, em direção a Sabrosa, passando por São Martinho de Anta, a terra natal de Miguel Torga. Depois de Sabrosa inicia-se a descida até ao Douro e a paisagem começa a encantar-nos, ao ponto de ainda pararmos num dos miradouros antes de chegarmos ao Pinhão.

 

No Pinhão, o coração do Alto Douro Vinhateiro, deparamo-nos com um movimento algo inesperado de turistas que aqui chegam por diversos meios: autocarro, comboio, barco e, claro, também de automóvel… Visitamos a estação e admiramos os magníficos painéis de azulejos que representam a paisagem e a vida das gentes destas terras durienses – as vinhas, a vindima, a pisa das uvas, os barcos rabelos…

 

A chegada ao miradouro de São Salvador do Mundo acontece após o almoço. Daqui observamos o vale do Rio Douro com as suas enormes encostas escarpadas, as suas vinhas a perder de vista e, ao fundo, a Barragem da Valeira. Aqui existia, antes da construção da barragem, o famoso Cachão da Valeira, o obstáculo mais difícil para os barcos Rabelos que transportavam as pipas de vinho para as caves, em Vila Nova de Gaia. A história relata-nos vários naufrágios neste ponto do rio, como aquele que vitimou o escocês Barão de Forrester, um estudioso e grande amigo do Douro, em 1861, numa viagem com D. Antónia Adelaide Ferreira. Facto ou lenda, diz-se que a Ferreirinha se salvou porque as suas saias se comportaram como um balão e a ajudaram a flutuar até à margem do rio, enquanto que o barão foi arrastado para o fundo devido ao peso das moedas de ouro que levava no seu cinto…

 

Luís Filipe M.Anjos

Leiria, agosto de 2019

 

13
Mar20

Vivências

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Subir para cima da secretária

 

Na última cena do filme “O Clube dos Poetas Mortos” os alunos do Professor Keating, um a um, levantam-se, sobem para cima das suas secretárias, e com “Oh Captain, my Captain!” - certamente uma das frases mais célebres do mundo do cinema - agradecem ao controverso Professor que os deixa depois de ter sido afastado pela Direção do Colégio. Mas este ato de subir para cima da secretária ocorre primeiramente numa outra cena do filme, quando o Professor Keating, a meio de uma aula sobre Shakspeare, surpreende a turma e, lá do alto da sua secretária, pergunta aos seus alunos:

 

- “Por que razão subi aqui para cima?”

 

- “Para se sentir mais alto…” – responde um deles.

 

- “Eu subi para cima da secretária para me lembrar que devemos olhar constantemente para as coisas de uma forma diferente… O mundo parece muito diferente visto daqui. Não acreditam? Venham ver…”.

 

E, então, os alunos, cada vez mais surpreendidos, aceitam o convite e sobem, também eles, para cima da secretária do Professor para terem o mesmo ponto de vista dele…

 

Subir para cima da secretária.png

 

Saber mudar de perspetiva. É isto que muitas vezes nos falta na vida do dia-a-dia, em casa, no trabalho, na escola, nas relações com os outros e, sobretudo, perante as adversidades que nos surgem… Somos tão convencionais no pensamento e tão inflexíveis que perdemos a capacidade de mudar o nosso ponto de vista, perdemos a capacidade de olhar para a mesma realidade de um outro ângulo, de cima, de baixo, de lado, de mais longe (para ver toda a envolvente), de mais perto (para ver mais em pormenor), seja como for… apenas de um outro ângulo… E, depois, quando o conseguimos, quer seja após um esforço intencional ou simplesmente porque aconteceu, vemos que tudo parece, de repente, ter novos contornos, como se a realidade tivesse mudado, quando, na verdade, a única mudança que ocorreu foi em nós, na nossa perspetiva…

 

Então, por que não, de vez em quando, subir para cima da secretária?

 

Luís dos Anjos

 

13
Fev20

Vivências

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A luz ao fundo do túnel… ou o comboio?

 

Passados todos estes anos já não consigo particularizar a situação em concreto, mas recordo-me que foi numa conferência ou seminário, ainda nos meus tempos de estudante, no Porto, que ouvi um orador um pouco menos convencional do que os demais explicar de uma forma engraçada a diferença entre um otimista e um pessimista. Ambos estão a caminhar no interior de um túnel há já muito tempo quando a certa altura começam a ver uma luz ao fundo. O otimista reage euforicamente, começa a correr e exclama que finalmente já vê a luz ao fundo do túnel. O pessimista agarra-o e diz-lhe para fugirem em sentido contrário, pois o mais certo é ser um comboio que vem em direção a eles!

 

A luz ao fundo do túnel… ou o comboio? O copo com água até meio está meio cheio… ou meio vazio? Em quase tudo na vida há duas maneiras (às vezes, até mais…) de ver as coisas e temos sempre a liberdade de escolher uma visão mais positiva ou mais negativa para avaliar uma determinada situação. A verdade, no entanto, é que no nosso dia-a-dia tendemos quase sempre a ver o lado mais cinzento (para não dizer negro) da realidade. Dir-me-ão que as notícias que os meios de comunicação social difundem (orientadas muitas vezes, ou quase sempre, pelas audiências) não ajudam. Dir-me-ão também que as redes sociais “apanham” e amplificam exponencialmente todas as situações menos agradáveis da realidade, levando-as a níveis por vezes inimagináveis. Tudo isto é, lamentavelmente, verdade e não o podemos esconder. Mas também não nos podemos deixar vencer por essa visão pessimista. É preciso acreditar sempre, não permitir nunca a queda no comodismo e na resignação, pois se nos deixarmos dominar pelas circunstâncias teremos certamente maior dificuldade em ultrapassar os obstáculos. E a verdade é que aconteça o que acontecer o mundo continuará a girar e os nossos filhos continuarão a contar connosco para o seu futuro!

 

Luís dos Anjos

 

 

10
Jan20

Vivências

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2020

 

Os que nascemos na década de 70 estamos agora a chegar aos 50, mais ano menos ano. Já temos cabelos brancos e num ou noutro momento já nos queixamos de uma dor aqui ou ali e, em jeito de brincadeira, vamos dizendo uns para os outros que é da idade (e é mesmo…).

 

Os nossos filhos mais velhos estão a terminar o secundário ou entraram já na Universidade. Vemo-los cada vez mais crescidos, autónomos, e a quererem seguir (e ainda bem) o seu próprio caminho. E, então, finalmente compreendemos algumas coisas (ou quase tudo, mesmo) que os nossos pais nos diziam quando tínhamos a idade deles e por que razão eram tão chatos connosco. O “conflito de gerações”, um conceito que desapareceu subitamente das nossas vidas quando nos tornamos adultos, e que pensávamos que já não nos voltaria a apanhar, apanhou-nos afinal, novamente, mas agora connosco do outro lado. Felizmente, a meu ver, temos hoje melhor preparação e ferramentas diferentes daquelas que tiveram os nossos pais para lidarem connosco.

 

A vida social, que outrora queríamos sempre intensa e agitada, ganha agora um tom mais calmo. Valorizamos coisas diferentes, mais simples e tranquilas: uma boa conversa numa esplanada, um jantar com amigos, um bom livro, um fim-de-semana em família…

 

Nas conversas com os amigos tanto falamos do mau tempo que fez na semana anterior como da situação económica que o país atravessa ou das preocupações com a saúde ou educação dos nossos filhos. Por vezes, recordamos também vivências anteriores, histórias e peripécias com as quais na altura rimos ou chorámos e acabamos, quase inevitavelmente, por estabelecer uma comparação entre os tempos de agora e os de antigamente (seriam melhores?).

 

Nas redes sociais reencontramos velhos amigos, quase sempre com alguns quilos a mais e ainda mais cabelos brancos do que nós. Pedimos-lhes amizade, metemos conversa e vamos sabendo por onde andam e o que fazem.

 

  1. Não estamos velhos, estamos apenas mais vividos, e o que nos preocupa agora é, sobretudo, o futuro dos nossos filhos. Onde estaremos todos em 2050?

 

Luís dos Anjos

 

 

13
Dez19

Vivências

2000

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2000

 

Parecia-nos um ano longínquo, mas quase sem darmos por isso chegamos lá e encontramos um mundo diferente daquele que imaginávamos – melhor, nalgumas coisas, menos interessante, noutras. Alguns ainda discutem a irrelevante questão de saber se já estamos realmente no novo milénio ou se este ano ainda é o último do milénio anterior, uma vez que a contagem do tempo não teve um ano zero... Certo é que o mundo não acabou, como alguns anunciavam, e os computadores também não ficaram doidos pelo facto de terem sido programados para armazenarem apenas os dois últimos dígitos do ano da data e poderem pensar que estamos no ano 1900 – o chamado “bug do milénio”, que tanta tinta fez correr...

 

Os que crescemos nos anos 80 temos agora 30 anos ou andamos lá perto e a vida de estudante já ficou para trás há alguns anos. Desde então sucederam-se os mais variados acontecimentos - namorámos, casámos, fomos pais, trocámos de carro, mudámos de emprego e de cidade, comprámos uma casa hipotecada até à idade da reforma, celebrámos vitórias e ultrapassámos fracassos, fizemos novos amigos e perdemos o contacto com outros (ainda não o sabemos, mas havemos de os reencontrar daqui a alguns anos no Facebook, já com alguns cabelos brancos…). À nossa volta a evolução tecnológica avançou a um nível sem precedentes e trouxe-nos imensas coisas novas e impensáveis até há poucos anos: Internet, e-mail, telemóveis, televisão por cabo, MP3, GPS… começam a fazer parte do nosso dia a dia e – para o bem e para o mal - não nos irão deixar nunca mais.

 

2000.Afinal, apenas mais um ano nas nossas vidas, sem dramas nem euforias. Estamos inevitavelmente mais velhos e mais experientes mas, lá no fundo, ainda nos sentimos – e ainda bem – uns verdadeiros jovens. De vez em quando olhamos para trás e já sentimos saudades doutros tempos que vivemos… O mundo continua a mudar a um ritmo alucinante e não nos resta outra alternativa senão acompanhá-lo… Não imaginamos onde vamos estar em 2020...

 

Luís dos Anjos

 

 

 

08
Nov19

Vivências

1996

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1996

 

Estamos no último ano da Universidade. Já se passaram cinco anos desde que gritámos “Entrei” ao ver o nosso nome e o nome de um curso nas listas afixadas naquele minúsculo Gabinete Coordenador do Ingresso no Ensino Superior, em Vila Real.

 

Ao longo destes últimos anos muita coisa mudou na nossa vida. Deixámos a cidade que nos viu nascer, ficámos mais longe dos amigos de sempre, mas ganhámos outros que também nos acompanharão pela vida fora. Alargámos horizontes. Assistimos a centenas de aulas - entusiasmantes, algumas, aborrecidas, outras. Adquirimos conhecimentos que nos ajudarão a ser bons profissionais, e outros que rapidamente iremos esquecer e que nem entenderemos nunca por que razão constavam dos programas. Passámos dias inteiros na biblioteca, fotocopiámos sebentas, apontamentos e livros que depois nem lemos, fizemos dezenas de trabalhos de grupo e discutimos por causa de alguns.

 

Aprendemos também muito fora das salas de aula: uma nova cidade, novas rotinas, novas caras, praxes, Queima das Fitas, festas, bons filmes no cinema e, principalmente, muitas horas de conversas, de desabafos, muitas alegrias e algumas tristezas. Crescemos muito, mas o mundo que conhecíamos cresceu ainda mais do que nós.

 

O fim do ano aproxima-se e já nos sentimos com o “canudo” na mão, mas também já sentimos saudades destes tempos que vamos deixar para trás. A tuna canta “Quero ficar sempre estudante”, mas sabemos que não é possível. Segue-se o mundo do trabalho, uma nova etapa, com as suas responsabilidades e as suas exigências. Percorremos os jornais, falamos com professores, vamos a agências de trabalho temporário, ouvimos rumores de estágios aqui ou ali e vamos à procura de informação… Não temos Internet nem sequer um telemóvel na palma da mão, mas não nos falta o entusiasmo nem a vontade firme de agarrar o futuro.

 

  1. A vida de estudante está a chegar ao fim. Apesar das dúvidas, não temos medo. Todos temos a certeza que vamos conseguir, mas não imaginamos onde vamos estar em 2020...

 

Luís dos Anjos

 

 

 

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