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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

09
Nov18

Vivências

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Estranho pequeno-almoço

 

Alvito. Julho de 2014. Estamos a passar uns dias de férias numa agradável unidade de turismo rural, bem no meio da típica paisagem alentejana. Mas a localização é irrelevante, pois a cena que presenciamos poderia certamente passar-se em qualquer outro local. Estamos a tomar o pequeno-almoço e numa mesa ao lado da nossa está um casal sensivelmente da nossa idade com um filho e uma filha, ambos adolescentes. Silêncio. O pai, entre pratos, talheres e chávenas, conseguiu encontrar espaço para o seu tablet e vai-se repartindo entre o pequeno-almoço e a atividade no tablet. O filho esqueceu-se da refeição e está agora empenhadíssimo num qualquer jogo, com os olhos fixos e os dedos movendo-se velozmente sobre o ecrã do seu smartphone. A filha ausentou-se por momentos e, para nosso espanto, regressa com um tablet nas mãos. Neste atípico quadro familiar apenas a mãe está verdadeiramente a tomar o pequeno-almoço… sozinha. Na nossa mesa falamos sobre o saboroso pão alentejano, comentamos a simpatia dos proprietários do espaço, trocamos opiniões sobre o que vamos fazer durante o dia… Na mesa ao lado, silêncio até ao fim da refeição.

 

De regresso ao nosso bungalow não deixamos de comentar este estranho episódio e, em jeito de brincadeira, digo que eles não falaram, mas, se calhar, comunicaram entre si via Internet, com os seus equipamentos… Obviamente que não o fizeram, e se o tivessem feito, então, a situação seria ainda mais surreal… Em termos abstratos, não me parece que haja nada de errado em estar de férias e consultar o e-mail pessoal (não o do emprego), navegar pelas páginas dos jornais online, jogar um jogo no telemóvel ou conversar com os amigos no Facebook. Mas será razoável e absolutamente necessário fazê-lo às nove da manhã, à mesa do pequeno-almoço, em família…?

 

Haja paciência!

 

Luìs dos Anjos

 

12
Out18

Vivências - Uma fancesinha (no Porto, claro!)

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Uma francesinha (no Porto, claro!)

 

Apesar de ter estudado no Porto, a verdade é que só alguns anos depois de ter concluído o curso, numa visita a um casal amigo, é que eu e a minha esposa provámos pela primeira vez uma francesinha.

 

- “O quê? Tu estiveste 5 anos a viver no Porto e nunca comeste uma francesinha? Não acredito!”. Foi mais ou menos com estas palavras que a nossa amiga me respondeu quando se apercebeu de tal facto e, então, nessa mesma noite, lá fomos nós a um conhecido restaurante na Rua Passos Manuel, mesmo em frente ao Coliseu do Porto, tido como um dos melhores da cidade na confeção deste petisco. Provámos, ficámos fãs e, de então para cá, já repetimos a experiência por várias vezes.

 

A francesinha é uma especialidade gastronómica típica do Porto, criada, segundo dizem, no restaurante “A Regaleira”, na década de 50, por um emigrante regressado de França, com base no “croque-monsieur”, um snack com queijo emental e noz-moscada, muito apreciado nos cafés e restaurantes daquele país. Na sua versão original (atualmente existem algumas variantes um pouco estranhas que a desvirtuam), a francesinha é composta por pão, bife de vaca, salsicha fresca, fiambre, linguiça fumada e uma cobertura de queijo. O molho picante que a acompanha é o grande “segredo” e cada casa tem a sua receita, embora se saiba que na sua preparação entram, entre outros ingredientes, manteiga, cebola, alho, louro, polpa de tomate, cerveja e whisky.

 

O sucesso da francesinha na Cidade Invicta é tão grande que rivaliza em popularidade e em consumo com os hambúrgueres e as pizzas do “fast food”, sendo possível encontrá-la em todo o lado, desde os mais distintos restaurantes e marisqueiras, até às mais populares cervejarias e tascas. No resto do país, as francesinhas aparecem nas ementas de muitos restaurantes e até já as provámos noutras cidades, inclusive, em Chaves… Mas, no Porto são, indiscutivelmente, melhores… E ponto final.

 

Luís dos Anjos

 

 

14
Set18

Vivências em Paris

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Vivências em Paris

 

Amadeo de Souza-Cardoso foi um reconhecido pintor modernista português que viveu parte da sua curta vida em Paris, onde contactou com os principais nomes da pintura do início do século XX. E é também o nome do Airbus da TAP que está estacionado junto à porta de embarque e que nos vai levar até Paris para umas mini-férias de Páscoa.

 

Loja 1 (1).JPG

Fotografia de Luís dos Anjos

 

Começamos com uma visita à Torre Eiffel, projetada pelo engenheiro Gustave Eiffel e construída para ser a porta de entrada da Exposição Universal de 1889. Quando preparámos a viagem (há umas semanas atrás) já não havia bilhetes online para uma subida de elevador até ao terceiro piso, mas arriscamo-nos pelas escadas até ao segundo, pelo meio de um verdadeiro emaranhado de vigas de ferro que quase nos tapa toda a luz do dia. Paramos no primeiro piso para uma volta de 360º e uns minutos de descanso. A vista sobre os Champs-de-Mars, de um lado, e o Rio Sena, do outro, é fantástica. Seguimos para o segundo piso e a vista sobre Paris é ainda mais deslumbrante… Prosseguimos depois numa das rotas do serviço de autocarros turísticos. Acompanhamos o Rio Sena durante algum tempo, com os famosos Bateaux-Mouches a deslizarem serenamente pelas suas águas, passamos pela Ópera, pelo Musée du Louvre e paramos na Catedral de Notre-Dame. Passamos ainda pela Place de La Concorde e subimos até ao Arc de Triomphe pela Avenue des Champs-Élysées, à qual os franceses chamam, envaidecidos, “La plus belle avenue du monde”, e onde estão instaladas as mais exclusivas marcas de moda e perfumaria de todo o mundo.

 

Sacré Coeur (1).JPG

Fotografia de Luís dos Anjos

 

Nos dois dias seguintes, alternando entre os autocarros turísticos, o metro e os transportes públicos, aventuramo-nos por outras paragens: Pigalle, Sacré Coeur, Place de la Bastille, Centre Georges Pompidou… Passamos ainda pelo Pont des Arts, a célebre ponte onde casais apaixonados de todo o mundo seguiam o ritual de colocar um cadeado nas grades e atirar a chave ao rio, com juras de amor eterno. Hoje, por razões de segurança, já não é possível fazê-lo na ponte, mas existem, bem próximos dali, outros locais onde os cadeados continuam a ser colocados.

 

Loja 2.JPG

Fotografia de Luís dos Anjos

 

Na viagem de regresso a Portugal, e tal como já acontecera na ida, viajamos a bordo de um Airbus cujo nome também tem ligações com Paris: “Amália Rodrigues”, a diva do Fado que encantou esta cidade com as suas atuações no Olympia…

 

Luís dos Anjos

 

 

10
Ago18

Vivências - Vamos tomar um café?

vivenvias

 

Vamos tomar um café?

 

“Vamos tomar um café?” ou “A ver se combinamos para tomar um café um dia destes…”.

 

Quando encontramos alguém que já não víamos há algum tempo é quase certo que uma destas duas expressões acabe por surgir na conversa como forma de dizer “…gostei de te encontrar e gostava de conversar mais um pouco contigo…”.

 

A primeira opção é a minha preferida, porque é imediata – olhamos em redor, trocamos opiniões sobre uma ou duas propostas de locais, em função daquilo que conhecemos na zona, e acabamos num café ou esplanada próximos com uma chávena de café na mão, ou então com outra bebida qualquer, pois o “tomar um café” não é para levar à letra. No final, na hora de ir embora, o “tomar um café” termina, geralmente, com uma “discussão” (no bom sentido, obviamente) sobre quem é que vai pagar a conta, mas isso na realidade pouco importa, pois já se sabe de antemão que da próxima vez será a outra parte a retribuir o gesto... Apenas se espera que a oportunidade para o próximo café não demore demasiado tempo...

 

A segunda opção, a do “A ver se combinamos para tomar um café um dia destes…”, adia o café para um próximo encontro, porque como andamos sempre atarefados nesta correria do dia-a-dia, torna-se por vezes difícil, infelizmente, despender de uns minutos para um simples café quando encontramos alguém. Então, confirmamos que temos o contacto um do outro, ou, se estivermos mesmo com muita pressa, atiramos com algo do género: ”…procura-me no Facebook e pede-me amizade…” e despedimo-nos com a promessa de um futuro contacto.

 

“Tomar um café” é sempre sinónimo de encontro, de reencontro, de partilha, não é nunca um fim em si mesmo, mas antes um pretexto para um agradável momento que se prolonga muito para além dos dois ou três goles da chávena que temos à nossa frente... Se pensarmos bem, todos nós temos nas nossas melhores recordações momentos passados à volta de uma mesa de café…

 

Luís dos Anjos

 

 

 

13
Jul18

Vivências - “Geração Heidi” versus “Geração Qualquer Coisa”

vivenvias

 

“Geração Heidi” versus “Geração Qualquer Coisa”

 

Há quase 50 anos nasceu aquela que é frequentemente apelidada de “Geração Heidi”. Os rapazes tinham nomes tradicionais, chamavam-se João, António, Carlos, Manuel ou Luís, enquanto as raparigas respondiam quase todas pelos nomes de Ana, Rita, Filipa ou Sofia. Esta geração jogava às escondidas e ao pião, os rapazes improvisavam duas balizas e faziam um jogo tipo “muda aos 5 e acaba aos 10”; os mais atrevidos esfolavam os joelhos a saltar os muros da aldeia, enquanto as raparigas brincavam aos elásticos ou à macaca. Todas as manhãs tomavam um pequeno-almoço a sério: uma taça de café com leite e uma carcaça com manteiga, marmelada ou doce de morango. Na televisão deliciavam-se com a Heidi e o Marco, a Abelha Maia, a Candy Candy, o Timtim e os Marretas. Quando cresceram mais um pouco passaram a ver Uma casa na pradaria e o Bonanza. No início do ano letivo compravam os livros escolares e encapavam-nos cuidadosamente para poderem servir para o irmão ou primo mais novo; na papelaria mais próxima compravam o material escolar para o ano inteiro: uma caneta, um lápis, uma régua, uma borracha, uma afia e uma caixa de marcadores.

 

A “Geração Qualquer Coisa” (porque ainda não sabemos que nome lhe dar) frequenta neste momento a escolaridade obrigatória. Ao contrário dos seus pais, têm nomes muito mais originais: Tiago, Bernardo, André ou Fábio, para os rapazes, e Cátia, Vanessa ou Inês para as raparigas. Passam a infância e a adolescência sem aprenderem a maioria dos jogos de antigamente. Muitos deles crescem praticamente sozinhos em casa, entre a televisão, o computador e o tablet. Ao pequeno-almoço experimentam todas as variedades de flocos possíveis, assim como snacks e pãezinhos recheados com chocolate e outras coisas do género... Em Setembro, no início do ano letivo, invadem os corredores dos hipermercados e compram tudo o que vêem: mochilas com rodinhas, canetas sofisticadíssimas, borrachas coloridas e com cheiros...

 

Como são diferentes os jovens de agora...

 

Luís dos Anjos

 

 

08
Jun18

Vivências

vivenvias

 

Prédios que (quase) não falam…

 

Celebrou-se no passado dia 25 de maio o “Dia Europeu dos Vizinhos”, uma evolução do “Dia do Vizinho”, uma iniciativa que surgiu em 1990, em Paris, pela mão de Atanase Périfan e de um grupo de amigos que criaram a associação “Paris d’amis”, no 17º bairro parisiense.

 

Por cá, com o intuito de assinalar este “Dia Europeu dos Vizinhos”, surgiu, em 2009, em Lisboa, uma interessante iniciativa denominada “Prédios que falam”, que desafiava as pessoas que habitam o mesmo prédio a estabelecerem contacto umas com as outras e a envolverem-se em atividades diversas que potenciavam uma aproximação entre elas.

 

Confesso que não sei se esta iniciativa teve ou não continuidade, pois numa rápida pesquisa no Google não encontrei referências recentes, e nem ouvi nada a respeito na comunicação social nos últimos tempos (mas também posso ter andado distraído…). Mas, em todo o caso, mais importante do que haver ou não uma iniciativa organizada como esta é termos, cada um de nós, de forma natural e espontânea, no nosso dia-a-dia, uma atitude diferente, mais próxima, mais humana para com os nossos vizinhos (afinal de contas, assim que saímos de nossa casa, são os que estão fisicamente mais próximos de nós…). E a mudança de atitude pode começar com pequenas coisas, como por exemplo, nunca nos esquecermos de dizer “bom dia” ou “boa tarde” (ou, porque não, algo mais) sempre que nos cruzamos com alguém no prédio, ou procurarmos saber os nomes das pessoas para evitar as referências do tipo “a senhora do terceiro esquerdo” ou “o senhor do último andar”… E depois, com um pouco mais de ousadia, por que não seguir algumas das propostas que a iniciativa “Prédios que falam” nos propunha na sua página: desenhar um “smile” J e colocá-lo na porta do elevador, fazer um bolo e distribui-lo em fatias pelos vizinhos ou colocar um cartaz com um pensamento positivo na entrada do prédio…

 

Se conseguirmos que estes pequenos gestos e iniciativas aconteçam, então sim, teremos “Prédios que falam”.

 

Luís Filipe M. Anjos

 

 

 

11
Mai18

Vivências - 1 de maio de 1991

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1 de maio de 1991

 

1 de maio de 1991. À semelhança dos anos anteriores foi organizada pelos grupos de jovens ligados à Igreja uma atividade para assinalar o início do mês de maio – o mês de Maria. O local escolhido foi o Santuário de Nossa Senhora da Aparecida, em Calvão, e o dia começou bem cedo com o ponto de partida marcado para o “Jardim do Bacalhau”. Aí nos encontramos, tendo já percorrido alguns quilómetros a pé, desde casa, e daí seguimos, igualmente a pé, até Soutelo, onde paramos no Lar Marista, uma casa bem nossa conhecida.

 

A partir de Soutelo, divididos em grupos mais pequenos e com algumas atividades para realizar ao longo da caminhada, seguimos até Calvão, onde chegamos por volta da hora de almoço, cansados mas cheios de entusiasmo e de boa disposição para o resto do dia.

 

O período da tarde foi preenchido com atividades de reflexão, de partilha e de convívio, próprias deste tipo de encontros, com a particularidade de nesse ano termos tido a presença de grupos de jovens de outras localidades.

 

No final do dia, muitos fizeram a viagem até casa de carro, com os pais, mas para muitos outros o regresso fez-se a pé, desta vez apanhando a estrada que vem do São Caetano (hoje, por curiosidade, marcando todo o percurso no Google Maps, espanto-me ao ver que nesse dia caminhamos 29 quilómetros…).

 

Foto (com tratamento).jpg

 

Esta caminhada do 1 de maio foi uma das muitas atividades em que participei enquanto estive ligado a este movimento de grupos de jovens e recordo-a como uma das mais marcantes. Mas recordo este dia também pelo frio, um frio como talvez não tenha voltado a sentir até aos dias de hoje (a verdade é que também fui um pouco de “corpo bem feito”, enganado pelo sol que parecia querer acompanhar-nos logo pela manhã). No regresso a casa, seguindo em fila pela berma da estrada, procuramos, pelo menos durante parte do percurso, enganar o frio com uma pequena estratégia: o último da fila deixava o seu lugar e tinha de ultrapassar todos os outros até chegar ao primeiro, e assim que lá chegasse era a vez do que tivesse ficado em último fazer o mesmo, até todos terem passado pelo primeiro lugar…

 

1 de maio de 1991. Já se passaram quase 30 anos…

 

Já não sinto o frio, apenas uma agradável recordação…

 

Luís dos Anjos

 

 

13
Abr18

Vivências

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Regresso à escola

 

Setembro de 2007. Dez anos depois de concluído o meu curso superior, e quatro anos depois da minha última experiência como professor, estou de regresso à escola, novamente no papel de aluno. Entro no anfiteatro, já meio preenchido, e olho à minha volta. Primeira constatação e diferença: a grande maioria são alunos mais novos do que eu. Abro a pasta e preparo-me para o início da aula. Enquanto espero pelo professor vêm-me à ideia várias imagens do meu passado de estudante. Recordo os tempos de caloiro, as peripécias vividas, as amizades que então comecei a construir e que o tempo sabiamente ajudou a cimentar; e lembro-me também das dificuldades de ser estudante naquela altura. Quando faltava a uma aula, por exemplo, tinha de pedir a um colega simpático, e de preferência organizado, para me emprestar o caderno para tirar fotocópias; quando precisava de elaborar algum trabalho em computador tinha de pedir a um dos professores para assistir à aula de Informática de outra turma e, então, trabalhar, discretamente, num dos computadores que ficasse vago no fundo da sala...

 

Agora tudo é diferente. Matéria das aulas, exercícios resolvidos, testes de anos anteriores e muito mais - tudo está à distância de um clique numa plataforma de E-Learning; salas equipadas com computadores com acesso à Internet e impressoras; e-mail de aluno para poder contactar com todos os colegas de curso e até com os docentes. E depois ainda, todas as facilidades que as novas tecnologias proporcionam: fazer downloads, partilhar ficheiros, participar em fóruns, combinar encontros por sms... Numa década apenas muita coisa mudou… Penso para mim mesmo que muito provavelmente se abordasse alguns dos alunos mais novos ali presentes e lhes falasse de tudo isto, muitos deles nem acreditariam…

 

Luís dos Anjos

 

 

09
Mar18

Vivências

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10 cidades, 16 casas, uma vida…

 

Setembro de 2016. A páginas tantas de uma conversa, já não sei a que propósito, a minha filha mais nova pergunta-me em quantas casas já viveu. Respondo-lhe que, como ela tem apenas 6 anos e as pessoas normalmente não trocam de casa com frequência, ela apenas viveu na casa que conhece. Depois, pergunta-me o mesmo relativamente à irmã. Respondo-lhe que a irmã já viveu em duas casas, embora não se lembre da primeira, porque era ainda muito pequena na altura em que lá viveu. Com a sua curiosidade aumentada, faz-me a mesma pergunta a mim e eu começo mentalmente a pensar na resposta, mas não lhe consigo responder de imediato. Peço-lhe, então, que conte comigo e começo a enumerar. Recuo no tempo e, entre o nascimento e a minha residência atual, conto uma, duas, três, quatro, cinco, seis, sete… e chego a dezasseis! Ela fica espantada e, na verdade, eu também…

 

Passado este episódio, volto ao assunto para mim mesmo. Percorro mentalmente todo o meu percurso de vida e confirmo que, efetivamente, já vivi em 16 casas diferentes, distribuídas por 10 cidades, entre Portugal e França… Poderá parecer muito, mas também poderá ser considerado pouco quando comparado com aquelas pessoas que são verdadeiras “globetrotters”. Mas, independentemente das muitas ou poucas mudanças ou do muito ou pouco tempo vivido em cada local, o que sei é que em todas as casas onde morei e em todas as cidades onde vivi cresci sempre um pouco, desde a casa pequena e modesta onde nasci, em Chaves, passando pelo quarto alugado na casa da senhora idosa e simpática que vivia sozinha com o seu gato e procurava alguma companhia, até ao apartamento partilhado com outras 3 ou 4 pessoas com horários e ritmos de vida diferentes…

 

Hoje, em Leiria, tenho para mim que a vida é um somatório de vivências e cada casa, cada cidade, cada pessoa com quem partilhei cada uma dessas etapas da minha vida contribuíram, de uma forma ou de outra, para tudo aquilo que hoje sou…

 

Luís Filipe M. Anjos

Setembro de 2016

 

 

12
Jan18

Vivências

vivenvias

 

“Mentes pequenas discutem pessoas

Mentes medianas discutem acontecimentos

Mentes grandes discutem ideias”

 

 

 Vivemos hoje num mundo de grande mediatização e globalização do conhecimento. Esta crescente facilidade no acesso ao saber por parte de todos leva a que muitas vezes nos deparemos com situações em que todos se pronunciam sobre tudo. Abrimos os jornais ou ligamos a televisão e, de repente, é como se toda a gente fosse especialista em todos os acontecimentos do nosso quotidiano. A verdade, porém, é que se estivermos mais atentos vamos constatar que, na maioria das vezes, aquilo que toda a gente discute são... pessoas. Não se trata propriamente de dizer mal ou bem, mas simplesmente de comentar, dar a sua opinião, sem que muitas vezes ela tenha sido sequer solicitada.

 

Existe, no entanto, um outro grupo de pessoas que foca as suas observações não sobre as pessoas mas sobre os acontecimentos. Discutem, assim, factos concretos, mas quase sempre já pertencentes ao passado. É uma reflexão a posteriori e que já não vai alterar em nada o rumo dos acontecimentos; quando muito, se for uma reflexão construtiva, poderá servir para melhor preparar o futuro, evitando que se repitam certos erros do passado.

 

Finalmente existe um outro grupo, muito mais restrito, que não desperdiça o seu precioso tempo comentando pessoas ou acontecimentos, mas antes refletindo sobre ideias. Esta reflexão ultrapassa o limiar do imediato e do quotidiano para se centrar num plano muito mais elevado. São, porventura, visionários, mentes que conseguem ver mais além das pessoas, dos factos e do tempo em que vivem, mentes nobres, construtoras de um amanhã que outros não conseguem vislumbrar. São estas pessoas que decididamente mais contribuem para que “o mundo pule e avance.”

 

E nós, o que discutimos?

 

Luís dos Anjos

 

 

 

 

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