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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

15
Mai19

Vivências

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Mudar de paisagem

 

Não há nenhuma indicação no local, nem sequer vem assinalado nos mapas ou nas aplicações de GPS, mas, viajando de norte para sul, pela A1, há um ponto a partir do qual percebemos que deixamos o norte e entramos no sul: a Serra de Aire e Candeeiros, a seguir à passagem por Minde, poucos quilómetros depois de Fátima. Aqui, mais ou menos a meio da descida, o horizonte alarga-se à nossa frente e vislumbramos uma paisagem completamente diferente… Ainda não chegamos lá, mas já se percebe que estamos claramente mais perto do Alentejo do que do Minho ou das Beiras.

 

Estamos em julho de 2014, são dez da manhã, e vamos a caminho de Alvito, uma pequena localidade a meio caminho entre Évora e Beja. A viagem prossegue, cruzamos o rio Tejo em Santarém, almoçamos em Évora e chegamos a Alvito ao início da tarde. Nos dias que se seguem, instalados numa agradável unidade de turismo rural, nas proximidades da vila, não vemos serras nem vales, mas sim planícies e uma ou outra pequena elevação. Pessoalmente, não sou um grande apreciador destas paisagens. Habituei-me a ver a Serra do Brunheiro, a Serra do Larouco, as curvas do Reigaz e, claro, o Marão… Por isso mesmo, gosto mais do verde das montanhas e do cinzento das fragas do que destes tons dourados e secos.

 

Mas sabe bem mudar de ares e de paisagens, até porque acredito que isso também nos ajuda a ver as coisas com outros olhos, com outra perspetiva. No norte e no centro, temos montanhas e vales, subidas e descidas, estradas com curvas e contracurvas, como que a lembrar-nos que a vida é uma caminhada sinuosa, com muitos altos e baixos… Em contrapartida, no sul, temos planícies de vista desafogada, como que a lembrar-nos que é também possível descobrir horizontes mais largos, ver mais longe e, sobretudo, ver mais à nossa volta…

 

É assim no nosso país, e é também assim na nossa vida…

 

Luís dos Anjos

 

12
Abr19

Vivências - O Centenário da "Técnica"

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O centenário da “Técnica”

 

A Escola Secundária Dr. Júlio Martins celebra este ano o seu centenário. Em 100 anos de vida cabem milhares de histórias, vivências e peripécias, tantas quantas o número de alunos, professores e funcionários, tantas quantas as aulas, as visitas de estudo e as mais variadas atividades realizadas. A “Júlio Martins” também foi a minha escola do 7º ao 12º ano, entre 1984 e 1990, mas, à semelhança de todos os meus colegas, dizia sempre que andava na “Técnica”, pois era assim que a escola era conhecida, consequência da sua longa tradição no ensino técnico.

 

Turma 12º D - Técnico Profissional de Secretaria

 

Da minha passagem pela “Técnica” recordo, no 7º e 8º ano, as aulas de Trabalhos Manuais (ou oficinais, já não sei bem como eram designados…) – Têxteis, Madeiras, Eletrotecnia, Mecânica, Secretariado… - onde íamos experimentando um pouco de cada área à procura de gostos e vocações. Depois, no 9º ano, a opção pela área de Administração e Comércio, uma das mais frequentadas da escola. Finalmente, no Secundário, a frequência do Técnico Profissional de Secretariado, no primeiro ano de funcionamento do curso na escola. Uma turma pequena, muito unida, e um grupo de professores dinâmicos e empenhados que procuravam acompanhar e envolver-nos na evolução do mundo e das tecnologias. Nas aulas práticas continuávamos a aprender datilografia com as teclas da máquina de escrever tapadas com quadradinhos de fita-cola preta, mas já tínhamos ao mesmo tempo informática numa sala recentemente equipada com computadores Amstrad 1512 (com dois drives de diskettes de 5 ¼” e sem disco rígido!), onde elaborávamos relatórios num processador de texto fantástico (naquela altura) chamado “Tasword”…

 

Turma 12º D - Técnico Profissional de Secretaria

 

Hoje, a “Técnica” já não é a mesma que conheci, nem poderia ser – cresceu, modernizou-se, tornou-se sede de agrupamento. A última vez que lá entrei foi há já largos anos, ainda antes da profunda remodelação que sofreu. Vejo que está muito diferente quando lá passo, sempre que vou a Chaves. Apenas as memórias continuam as mesmas… as minhas e certamente as de todos aqueles que por lá passaram…

Luís Filipe M. Anjos

Abril 2019

 

 

08
Mar19

Vivências - Serralves

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Serralves

 

As fotografias que ilustram esta crónica são enganadoras. Não estamos no campo nem em nenhuma quinta de turismo rural. Estamos no centro do Porto, mais concretamente na Fundação de Serralves, a não mais do que uns 200 ou 300 metros da Avenida da Boavista, um espaço que eu já conheço desde os meus tempos de estudante na Invicta, no início dos anos 90, e que agora, em família, revisitamos mais uma vez.

 

Serralves 1.JPG

Fotografia de Luís dos Anjos

A Fundação de Serralves foi criada em 1989, mas a origem deste espaço remonta a 1923 quando Carlos Alberto Cabral, 2º Conde de Vizela, herdou a Quinta do Lordelo, uma propriedade de veraneio da família situada, na altura, nos arredores da cidade e que foi sendo ampliada com a aquisição de terrenos adjacentes, atingindo nos anos seguintes uma área de 18 hectares. Hoje, aquilo que genericamente designamos por Fundação de Serralves integra, na verdade, vários espaços distintos: a Casa de Serralves, um exemplar único da arquitetura Art Déco dos anos 30 do século passado; o Museu de Serralves, o mais importante museu de arte contemporânea em Portugal, autoria do arquiteto Álvaro Siza Vieira, inaugurado em 1999; e o Parque propriamente dito, com uma grande diversidade de plantas e árvores, tanto de origem autóctone como exótica, que proporciona uma oportunidade privilegiada para, em pleno centro da cidade, estar com contacto com a natureza.

 

Serralves 2.JPG

Fotografia de Luís dos Anjos

Optamos por comprar bilhetes apenas para a visita ao Parque, deixando o Museu para uma próxima oportunidade. Seguimos por um dos muitos caminhos possíveis, percorremos magníficos jardins harmoniosamente interligados entre si, passamos pelo lago e pela mata, até que chegamos ao grande prado, onde encontramos vários animais em liberdade e, finalmente, à horta pedagógica. Desfrutamos da beleza do local, do silêncio, da harmonia com a natureza. Pelo caminho, observamos ainda várias esculturas da Coleção da Fundação de Serralves expostas em permanência no exterior numa espécie de museu ao ar livre. É, sem dúvida, um espaço que merece ser visitado!

 

A tarde avança e ainda nos restam duas horas de viagem até casa. Iniciamos o caminho de regresso ao carro e esperamos voltar em breve.

 

Luís dos Anjos

 

08
Fev19

Vivências

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Profissão: eterno consumidor

 

 

Sem que nada façamos para isso, somos diariamente bombardeados com dezenas, senão mesmo centenas, de mensagens publicitárias (umas claramente explícitas, outras mais subtis) e, a menos que andemos permanentemente com os olhos e os ouvidos fechados, pouco ou nada podemos fazer para o evitar. Os apelos ao consumo há muito que deixaram de ser veiculados pelos meios tradicionais, como a rádio, a televisão, os jornais e as revistas, e assumem hoje formas extremamente diversificadas e criativas: outdoor’s nas ruas, paragens de autocarro, degraus de escadas nas estações de comboio e metro, terminais Multibanco, páginas da Internet, e-mail’s, SMS’s…

 

Mas o principal objetivo das empresas já não é apenas a produção de bens ou a prestação de serviços que satisfaçam as necessidades dos seus clientes. O principal objetivo, hoje em dia, é encontrar uma forma de transformar os seus clientes em eternos consumidores. E para lograr este objetivo existem duas vias possíveis: a obsolescência programada e a obsolescência percebida, duas expressões que podem soar estranhamente, mas cujo significado é facilmente percebido numa pequena explicação.

 

A obsolescência programada mais não é do que uma filosofia de projeto e construção de bens para uma determinada vida útil (de preferência, não muito longa), tornando-se de seguida obsoletos e de reparação difícil ou economicamente pouco ou nada vantajosa (já todos nós quisemos reparar um pequeno eletrodoméstico avariado e acabámos por comprar um novo, por ser mais barato). Mas, ainda que os produtos continuem funcionais, o contínuo lançamento de novos produtos, com novo design, novas caraterísticas ou novas funcionalidades (a maioria das vezes de uma relativa relevância) cria igualmente em nós uma sensação de obsolescência do nosso produto – a obsolescência percebida – levando-nos, a pouco e pouco, à convicção da necessidade de o substituirmos.

 

E assim, de uma forma ou de outra, vemo-nos à mercê dos grandes interesses comerciais e tornamo-nos eternos consumidores… ainda que tentemos resistir…

 

Luís dos Anjos

11
Jan19

Vivências na Galiza

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Vivências na Galiza

 

Dezembro de 2011. Aproveitando a vinda a Chaves para estar com a família no dia de Natal, e juntando-lhe mais uns dias de férias até ao final do ano, seguimos viagem para a Galiza. Saímos de manhã, com tempo chuvoso e, por isso mesmo, vamos andando calmamente. Em Ourense deixamos a A-52 e atravessamos a cidade para seguir na direção de Lugo, o nosso primeiro ponto de paragem. O rio que aqui passa é o Rio Miño, e aproveito para explicar à minha filha mais velha que é o mesmo rio que iremos voltar a cruzar quando entrarmos novamente em Portugal, dali a uns dias. Na cidade destacam-se as suas várias pontes de estilos muito diferentes, desde a Ponte Romana, no Centro Histórico, à Ponte do Milénio com a sua arquitetura futurista, à qual ninguém fica indiferente.

 

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Fotografia de Luís dos Anjos

Almoçamos em Lugo e, no período da tarde, visitamos a parte antiga da cidade, no interior das muralhas romanas que se estendem por mais de dois quilómetros e sobre as quais é possível caminhar, desfrutando de uma vista ainda mais soberba sobre todo o casario. A chegada à Corunha acontece já pela hora do jantar e com algum cansaço das mais pequenas da família.

 

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Fotografia de Luís dos Anjos

Os dois dias que passamos na Corunha deixam-nos verdadeiramente encantados com a cidade. Saindo do hotel, começamos por percorrer um extenso jardim à beira mar, com estátuas e menires, que nos leva até à Torre de Hércules, um imponente farol de construção romana; depois, descemos pelo centro da cidade, por ruas e praças, e chegamos à Avenida da Mariña, onde admiramos as típicas fachadas com varandas de madeira e vidro, que deram à Corunha a designação de Cidade de Cristal. Numa vertente mais cultural visitamos o Aquário Finisterra, a Casa das Ciências e a Casa do Homem, três locais diferentes, mas igualmente interessantes para uma visita em família.

 

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Fotografia de Luís dos Anjos

No dia do regresso a casa esperam-nos quase 500 quilómetros, o que, com as inevitáveis paragens de quem viaja em família, se traduz praticamente num dia de viagem. Entramos em Portugal por Valença e, tal como prometido à minha filha, lá está o Rio Minho, por ali correndo serenamente há séculos, delimitando dois países…

 

Luís dos Anjos

 

 

14
Dez18

Vivências - Vidas Virtuais

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Vidas virtuais

 

  1. Num mundo ainda sem smartphones nem tablets, e com a Internet a dar os primeiros passos, os jogos online tal como hoje os conhecemos não existiam. Mas existia o “Tamagotchi”, um dispositivo eletrónico colorido, semelhante a um porta-chaves, que se levava para todo o lado no bolso das calças ou na mochila, com um pequeno écran onde, em animações extremamente rudimentares, “vivia” um animal de estimação virtual que tinha horas para comer, brincar, dormir e fazer “xixi”. Mais ainda, se não fosse devidamente “tratado” pelo seu dono, o bichinho podia mesmo acabar por “morrer”…

 

  1. O Tamagotchi “morreu”. A Internet generalizou-se há já alguns anos e com ela surgiram centenas de jogos online que simulam a vida real em praticamente tudo aquilo que possamos imaginar. É hoje possível (virtualmente) planear e construir cidades, comandar exércitos, gerir uma quinta, comprar e vender empresas, treinar um clube de futebol ou ser uma estrela de rock em permanente digressão…

 

Vinte anos separam estes dois momentos. Vinte anos de profundas mudanças a nível tecnológico, mas também a nível familiar, cultural e social, que nos obrigaram, como nunca no passado, a um esforço gigantesco de adaptação a novas realidades. Mas apesar de todas as mudanças continua a ser fácil encontrar um traço comum entre o Tamagotchi, o Farmville, o Second Life ou um qualquer outro jogo deste género. Todos eles são criados e têm sucesso (e viciam, em muitos casos) porque existe nas nossas sociedades uma massa imensa de insatisfeitos com a vida do dia-a-dia que procuram refúgio (diariamente, ou quase) a construir e a tratar de uma vida virtual, dentro de um pequeno écran em forma de retângulo, onde sabem que nada existe verdadeiramente – nem coisas, nem pessoas, nem sentimentos, nem emoções - mas onde tudo é sempre extremamente fácil, à distância apenas de uma meia dúzia de cliques…

 

 

09
Nov18

Vivências

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Estranho pequeno-almoço

 

Alvito. Julho de 2014. Estamos a passar uns dias de férias numa agradável unidade de turismo rural, bem no meio da típica paisagem alentejana. Mas a localização é irrelevante, pois a cena que presenciamos poderia certamente passar-se em qualquer outro local. Estamos a tomar o pequeno-almoço e numa mesa ao lado da nossa está um casal sensivelmente da nossa idade com um filho e uma filha, ambos adolescentes. Silêncio. O pai, entre pratos, talheres e chávenas, conseguiu encontrar espaço para o seu tablet e vai-se repartindo entre o pequeno-almoço e a atividade no tablet. O filho esqueceu-se da refeição e está agora empenhadíssimo num qualquer jogo, com os olhos fixos e os dedos movendo-se velozmente sobre o ecrã do seu smartphone. A filha ausentou-se por momentos e, para nosso espanto, regressa com um tablet nas mãos. Neste atípico quadro familiar apenas a mãe está verdadeiramente a tomar o pequeno-almoço… sozinha. Na nossa mesa falamos sobre o saboroso pão alentejano, comentamos a simpatia dos proprietários do espaço, trocamos opiniões sobre o que vamos fazer durante o dia… Na mesa ao lado, silêncio até ao fim da refeição.

 

De regresso ao nosso bungalow não deixamos de comentar este estranho episódio e, em jeito de brincadeira, digo que eles não falaram, mas, se calhar, comunicaram entre si via Internet, com os seus equipamentos… Obviamente que não o fizeram, e se o tivessem feito, então, a situação seria ainda mais surreal… Em termos abstratos, não me parece que haja nada de errado em estar de férias e consultar o e-mail pessoal (não o do emprego), navegar pelas páginas dos jornais online, jogar um jogo no telemóvel ou conversar com os amigos no Facebook. Mas será razoável e absolutamente necessário fazê-lo às nove da manhã, à mesa do pequeno-almoço, em família…?

 

Haja paciência!

 

Luìs dos Anjos

 

12
Out18

Vivências - Uma fancesinha (no Porto, claro!)

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Uma francesinha (no Porto, claro!)

 

Apesar de ter estudado no Porto, a verdade é que só alguns anos depois de ter concluído o curso, numa visita a um casal amigo, é que eu e a minha esposa provámos pela primeira vez uma francesinha.

 

- “O quê? Tu estiveste 5 anos a viver no Porto e nunca comeste uma francesinha? Não acredito!”. Foi mais ou menos com estas palavras que a nossa amiga me respondeu quando se apercebeu de tal facto e, então, nessa mesma noite, lá fomos nós a um conhecido restaurante na Rua Passos Manuel, mesmo em frente ao Coliseu do Porto, tido como um dos melhores da cidade na confeção deste petisco. Provámos, ficámos fãs e, de então para cá, já repetimos a experiência por várias vezes.

 

A francesinha é uma especialidade gastronómica típica do Porto, criada, segundo dizem, no restaurante “A Regaleira”, na década de 50, por um emigrante regressado de França, com base no “croque-monsieur”, um snack com queijo emental e noz-moscada, muito apreciado nos cafés e restaurantes daquele país. Na sua versão original (atualmente existem algumas variantes um pouco estranhas que a desvirtuam), a francesinha é composta por pão, bife de vaca, salsicha fresca, fiambre, linguiça fumada e uma cobertura de queijo. O molho picante que a acompanha é o grande “segredo” e cada casa tem a sua receita, embora se saiba que na sua preparação entram, entre outros ingredientes, manteiga, cebola, alho, louro, polpa de tomate, cerveja e whisky.

 

O sucesso da francesinha na Cidade Invicta é tão grande que rivaliza em popularidade e em consumo com os hambúrgueres e as pizzas do “fast food”, sendo possível encontrá-la em todo o lado, desde os mais distintos restaurantes e marisqueiras, até às mais populares cervejarias e tascas. No resto do país, as francesinhas aparecem nas ementas de muitos restaurantes e até já as provámos noutras cidades, inclusive, em Chaves… Mas, no Porto são, indiscutivelmente, melhores… E ponto final.

 

Luís dos Anjos

 

 

14
Set18

Vivências em Paris

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Vivências em Paris

 

Amadeo de Souza-Cardoso foi um reconhecido pintor modernista português que viveu parte da sua curta vida em Paris, onde contactou com os principais nomes da pintura do início do século XX. E é também o nome do Airbus da TAP que está estacionado junto à porta de embarque e que nos vai levar até Paris para umas mini-férias de Páscoa.

 

Loja 1 (1).JPG

Fotografia de Luís dos Anjos

 

Começamos com uma visita à Torre Eiffel, projetada pelo engenheiro Gustave Eiffel e construída para ser a porta de entrada da Exposição Universal de 1889. Quando preparámos a viagem (há umas semanas atrás) já não havia bilhetes online para uma subida de elevador até ao terceiro piso, mas arriscamo-nos pelas escadas até ao segundo, pelo meio de um verdadeiro emaranhado de vigas de ferro que quase nos tapa toda a luz do dia. Paramos no primeiro piso para uma volta de 360º e uns minutos de descanso. A vista sobre os Champs-de-Mars, de um lado, e o Rio Sena, do outro, é fantástica. Seguimos para o segundo piso e a vista sobre Paris é ainda mais deslumbrante… Prosseguimos depois numa das rotas do serviço de autocarros turísticos. Acompanhamos o Rio Sena durante algum tempo, com os famosos Bateaux-Mouches a deslizarem serenamente pelas suas águas, passamos pela Ópera, pelo Musée du Louvre e paramos na Catedral de Notre-Dame. Passamos ainda pela Place de La Concorde e subimos até ao Arc de Triomphe pela Avenue des Champs-Élysées, à qual os franceses chamam, envaidecidos, “La plus belle avenue du monde”, e onde estão instaladas as mais exclusivas marcas de moda e perfumaria de todo o mundo.

 

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Fotografia de Luís dos Anjos

 

Nos dois dias seguintes, alternando entre os autocarros turísticos, o metro e os transportes públicos, aventuramo-nos por outras paragens: Pigalle, Sacré Coeur, Place de la Bastille, Centre Georges Pompidou… Passamos ainda pelo Pont des Arts, a célebre ponte onde casais apaixonados de todo o mundo seguiam o ritual de colocar um cadeado nas grades e atirar a chave ao rio, com juras de amor eterno. Hoje, por razões de segurança, já não é possível fazê-lo na ponte, mas existem, bem próximos dali, outros locais onde os cadeados continuam a ser colocados.

 

Loja 2.JPG

Fotografia de Luís dos Anjos

 

Na viagem de regresso a Portugal, e tal como já acontecera na ida, viajamos a bordo de um Airbus cujo nome também tem ligações com Paris: “Amália Rodrigues”, a diva do Fado que encantou esta cidade com as suas atuações no Olympia…

 

Luís dos Anjos

 

 

10
Ago18

Vivências - Vamos tomar um café?

vivenvias

 

Vamos tomar um café?

 

“Vamos tomar um café?” ou “A ver se combinamos para tomar um café um dia destes…”.

 

Quando encontramos alguém que já não víamos há algum tempo é quase certo que uma destas duas expressões acabe por surgir na conversa como forma de dizer “…gostei de te encontrar e gostava de conversar mais um pouco contigo…”.

 

A primeira opção é a minha preferida, porque é imediata – olhamos em redor, trocamos opiniões sobre uma ou duas propostas de locais, em função daquilo que conhecemos na zona, e acabamos num café ou esplanada próximos com uma chávena de café na mão, ou então com outra bebida qualquer, pois o “tomar um café” não é para levar à letra. No final, na hora de ir embora, o “tomar um café” termina, geralmente, com uma “discussão” (no bom sentido, obviamente) sobre quem é que vai pagar a conta, mas isso na realidade pouco importa, pois já se sabe de antemão que da próxima vez será a outra parte a retribuir o gesto... Apenas se espera que a oportunidade para o próximo café não demore demasiado tempo...

 

A segunda opção, a do “A ver se combinamos para tomar um café um dia destes…”, adia o café para um próximo encontro, porque como andamos sempre atarefados nesta correria do dia-a-dia, torna-se por vezes difícil, infelizmente, despender de uns minutos para um simples café quando encontramos alguém. Então, confirmamos que temos o contacto um do outro, ou, se estivermos mesmo com muita pressa, atiramos com algo do género: ”…procura-me no Facebook e pede-me amizade…” e despedimo-nos com a promessa de um futuro contacto.

 

“Tomar um café” é sempre sinónimo de encontro, de reencontro, de partilha, não é nunca um fim em si mesmo, mas antes um pretexto para um agradável momento que se prolonga muito para além dos dois ou três goles da chávena que temos à nossa frente... Se pensarmos bem, todos nós temos nas nossas melhores recordações momentos passados à volta de uma mesa de café…

 

Luís dos Anjos

 

 

 

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