Tronco - Chaves - Portugal

Penso que as imagens falam por si e dispensariam muito bem os comentários ou palavras que deixo por aqui a acompanhá-las. Quem me conhece e conhece os registos fotográficos que faço para o blog, sabe que o que prende a minha atenção nas nossas aldeias e mundo rural é, para além das paisagens, o casario antigo e alguns pormenores associados à vida das aldeias. Casario e pormenores que refletem os sabores, saberes, crenças, costumes, hábitos, arte, história e estórias dos locais. Em suma é a cultura dos lugares aquilo que mais me desperta no nosso mundo rural.

Mas claro que quando abordamos a cultura de um lugar estamos a entrar por caminhos aparentemente complexos, isto, se tivermos em conta a definição que cada um de nós tem para a cultura, que é diferente segundo que a aborda. Por exemplo politicamente falando entendem por cultura o que está ligado às artes, ao cinema, ao teatro, à literatura, à música, etc.. Se regressarmos no tempo até à civilização romana e aos falantes da línguas de origem latina, a cultura está também associada ao cultivo da terra para produção. Se entrámos no campo empresarial o mais provável é que se fale de cultura organizacional, mas ainda há mais, pois sempre podemos falar de cultura popular e da cultura segundo as visão da filosofia, da antropologia e das restantes ciências sociais que embora todas à volta do mesmo defendem algumas diferenças.

Quanto ao meu entender de cultura já o deixei no primeiro parágrafo e que se integra perfeitamente naquilo que as ciências sociais defendem, mas para aqui a definição até pouco interessa, pois só levantei esta questão por duas razões. A primeira para justificar as imagens que vos vou deixando aqui durante os fins de semana e que vão de encontro à vidas das nossas aldeias que precisamente identificam uma cultura própria que estamos a perder.

Pois a segunda razão de hoje trazer a cultura também se prende com as imagens de hoje serem de Tronco onde, culturalmente falando, vivem duas comunidades distintas, uma que á mais tradicional nas nossas aldeias e uma outra, a comunidade cigana que há umas dezenas de anos vive na aldeia e tem laços familiares mais próximos à comunidade cigana mais ampla que vive um pouco por todo o nordeste transmontano junto à raia, desde Bragança até Chaves.


