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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Uma noite com Cuca Roseta

08.07.18 | Fer.Ribeiro

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Sozinhos, aos pares, famílias, grupos, vieram primeiro umas dezenas, depois já somavam centenas, chegou aos milhares, poucos milhares, não os contei mas eram muitos, vieram de todos os lados, de todos os bairros, das aldeias mais próximas, todos para passar a noite com a Cuca Roseta.

 

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Depois chegou a Cuca Roseta, com um, dois, três, quatro homens vestidos de negro, tinham instrumentos, eram músicos, tocaram e a Cuca cantou. Pelos rostos de felicidade daqueles que não contei mas eram muitos, a Cuca cantava e encantava. E todos foram muito felizes durante uma hora, hora e pico, também não sei bem, mas foi por aí.

 

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Depois a Cuca e os seus homens de negro abandonaram o palco. O povo pediu mais, mais, mais e a Cuca e os homens de negro, que eram músicos, regressaram ao palco e a Cuca cantou de novo enquanto os seus homens de negro a acompanhavam, cada um com o seu instrumento, guitarra portuguesa, outras violas, teclas e concertina ou acordeon/acordeão, não sei bem qual era, pois nunca os soube distinguir. Mas de novo saiu e desta vez o povo não pediu mais. Não sei porque fazem sempre isto, mas em todos os concertos é a mesma coisa…

 

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E lá foi o povo, primeiro às centenas, desfizeram-se os milhares, depois às dezenas, uns Sozinhos, outros aos pares, algumas famílias, grupos, foram-se embora, cada uns para seu lado,  para todos os bairros, algumas  aldeias mais próximas, todos passar a noite, ou um pouco de noite com a Cuca Roseta, que também foi embora.

 

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Só eu fiquei por lá um pouco mais a ver como tudo se esvazia e como todos partiram aparentemente felizes, contentes, mas também todos indiferentes a quem restava no palco, incluindo os homens da Cuca vestidos de preto também partiram indiferentes aos instrumentos que deixaram sozinhos no palco, abandonados, quase às escuras. Naquele momento, em reflexão, pensava como é triste ser um instrumento musical. Também eu acabei por regressar a casa…

 

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P.S.  — Sim, fiquei sensibilizado com os instrumentos abandonados, sozinhos e quase às escuras, mas não foi por isso que ontem, excecionalmente,  não trouxe aqui nenhuma aldeia e que hoje também não vai haver nenhuma aldeia do Barroso, pois ou hei de andar a tratar do blog ou à caça de fotografias, ainda não consigo fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Assim como ontem também passei a noite com a Cuca e tive de arquivar ulas largas centenas, até milhares de fotos das últimas caçadas, durante o dia também não houve tempo para o blog e o pouco que sobrou foi para a minha horta, que só ontem arranjei coragem para tratar dela depois daquela trovoada que desfez tudo. Hoje, pois já é domingo, também vou continuar à caça de fotografias, de manhã para as cerimónias dos engravatados e à noite para a “Moura”. Assim, tenho pena, mas para o blog, só coisas breves.