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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Vivências

08.09.16 | Fer.Ribeiro

vivenvias

 

Da vontade de mudar o mundo…

à resistência para que o mundo não nos mude…

 

Ao princípio é simples. O mundo parece-nos perfeito. Acreditamos nas fadas e nas princesas (as raparigas) e nos super-heróis (os rapazes). Acreditamos também no velhinho de barbas brancas que numa só noite consegue a proeza de visitar todas as casas onde há crianças para deixar prendas àquelas que se portaram bem durante o ano. Depois crescemos e a magia começa a perder-se. Afinal o mundo não é assim tão perfeito. Pensamos, então, que somos nós que o vamos mudar e ai de quem nos diga o contrário! Estamos no turbilhão de emoções e sonhos que é a juventude, a fase da vida em que tudo nos parece possível. E a nossa luta continua, mas, de repente, damo-nos conta que já tudo mudou à nossa volta. Já não temos vinte anos. Crescemos, tornamo-nos homens, mulheres, pais, trilhamos o nosso caminho e a vida foi adquirindo outro sentido. Há muito que deixámos de acreditar nas fadas ou super-heróis para nos salvar. Eles existem sim, mas são, afinal, humanos como nós e chamam-se simplesmente “amigos”. Continuamos a acreditar em tudo o que sempre acreditámos, mas já não temos as mesmas ilusões de querer mudar o mundo sozinhos. Agora, mais do que agir, pensamos sobretudo em resistir para que o mundo, ou a sociedade como lhe queiram chamar, não nos mude a nós. Queremos continuar fiéis aos valores que um dia nos incutiram e que queremos agora transmitir aos nossos. Por isso, ficamos felizes quando o nosso filho faz algo errado e nos diz a verdade, quando poderia mentir-nos, ou quando encontra na escola algo que não lhe pertence e procura o legítimo dono para o devolver.

 

 Acreditamos agora que, mais do que grandes ações, são estes pequenos gestos praticados no dia-a-dia que nos fazem sentir que estamos a fazer a nossa parte para um mundo melhor para nós e para os nossos filhos.

 

Luís dos Anjos