Vivências

O fim dos álbuns de família?
Fim-de-semana em casa, com a família. A minha filha mais nova pede-me para ver um álbum de fotografias. Sabe onde estão guardados, digo-lhe que vá buscar um, e no minuto seguinte estamos sentados no sofá a percorrer diversos momentos da nossa vida familiar. Primeiro, fotografias só com os pais e outros familiares ou amigos de quem ela vai perguntando os nomes, depois com a irmã mais velha e, finalmente, também com ela. E com cada fotografia surge um comentário, uma história ou até uma peripécia para contar…
Momentos como este, para além de serem sempre agradáveis, são também importantíssimos para dar a conhecer a história da família. Os mais velhos recordam tempos passados, uns bons, outros menos bons, mas todos eles importantes para a construção do seu percurso de vida. Os mais novos aprendem algo mais sobre as suas origens, os seus antepassados, os lugares onde viveram, trabalharam ou por onde viajaram. É como ver um filme e dizer: “Nós passamos por tudo isto, lutamos, crescemos com as nossas vivências, e chegamos onde estamos hoje…”.
No futuro, porém, receio que momentos de partilha como este se tornem cada vez mais raros porque nos dias de hoje, e embora se tirem cada vez mais fotografias graças às novas tecnologias, o número de fotografias impressas é muito menor do que no passado. E, assim, os álbuns de fotografias de família, quer sejam os mais antigos, com as fotografias presas nos quatro cantos por pequenos triângulos, quer os mais recentes com uma película autocolante a cobrir as fotografias, vão desaparecendo das nossas casas por troca com um armazenamento algures numa pasta do computador, numa pen ou na “nuvem”… E com o desaparecimento dos álbuns de fotografias deixa de se construir todo um arquivo familiar riquíssimo para as próximas gerações e surge, inevitavelmente, a questão: Como irão os mais novos, daqui a alguns anos (não muitos), conhecer as memórias da sua família? Não podemos certamente pensar em dar-lhes um login e uma password do Dropbox ou do Google Drive e esperar que eles vão lá ver…
Luís Filipe M.Anjos


