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A primeira subida
30 de junho de 1985. Tenho 13 anos e estou colado ao rádio lá de casa a ouvir o relato do União da Madeira – Desportivo de Chaves. Oficialmente, é o último jogo do Torneio de Competência I/II Divisão, mas ninguém conhece esta designação, e todos lhe chamam “liguilha”, uma espécie de mini-torneio entre os segundos classificados da 2ª Divisão (o Chaves, da zona norte, o União de Leiria, da zona centro, e o União da Madeira, da zona sul) e o 13º classificado da 1ª Divisão, o Rio Ave. O resultado final foi 4-3 favorável ao Chaves, mas recordo que o jogo foi, como se costuma dizer muitas vezes, impróprio para cardíacos: o Chaves esteve a perder por 1-0, depois empatou e chegou ao 2-1, mas o União da Madeira ainda voltou a virar o marcador para 3-2, antes de, finalmente, o Chaves chegar ao 4-3. Com o apito final do árbitro, o Chaves estava na 1ª Divisão pela primeira vez na sua história!
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1 de julho de 1985. A chegada dos jogadores à cidade aconteceu já ao fim da tarde. Vale a pena recordar que à época não existiam nem A23, nem A7, nem A4 e, portanto, a viagem até Chaves demorava várias horas. E como também não existiam telemóveis, e muito menos Internet ou redes socias, nem sei como é que a hora da chegada foi conhecida. Recordo que a espera foi longa com os meus pais e os meus irmãos, na reta do Raio-X, mas sem qualquer impaciência, pois era um dia histórico para todos os Flavienses. E recordo, também, o Largo do Arrabalde transformado num autêntico mar de gente, com centenas de bandeiras azuis-grená agitando-se no ar. E o lento avançar do autocarro da Auto-Viação do Tâmega que transportava os nossos heróis…
Foi há 40 anos! Seguiram-se outras subidas à Primeira Liga, mas por razões familiares não estive em Chaves nesses momentos. Acompanhei sempre os festejos à distância, pela televisão e, mais recentemente, pelas redes sociais, mas parece-me que o ambiente de 1985 nunca se repetiu…
Luís Filipe M. Anjos
Leiria, junho de 2025


