Vivências

A porta da nossa casa
A porta da nossa casa é a porta mais importante da nossa vida. Ao contrário das portas dos centros comerciais ou de outros espaços públicos, não diz “Puxe” ou “Empurre”, nem é de abertura automática… Não é preciso. É uma porta só nossa – ou, melhor dizendo, nossa, dos nossos, e daqueles a quem damos permissão para a transporem (e, na verdade, não deixamos que seja transposta por qualquer pessoa…).
A porta da nossa casa vai mudando ao longo dos tempos. Começa por ser a porta da casa dos nossos pais, nos primeiros anos da nossa vida, e são eles que têm a chave e que nos guiam por essa porta para sair e voltar para casa. Mais tarde, quando já somos mais crescidos e responsáveis, passamos a ter uma chave de casa para nós. Entretanto, continuamos a crescer, concluímos os nossos estudos, começamos a trabalhar, casamo-nos ou, simplesmente, deixamos a casa dos nossos pais e passamos a ter a nossa própria casa e uma outra chave de uma outra porta, só nossa.
A verdade é que, qualquer que seja o nosso percurso de vida, teremos sempre uma porta de casa e essa porta será sempre a mais importante e a única que delimita a nossa presença em dois mundos distintos: o nosso mundo pessoal e o mundo exterior.
Quando estamos do lado de dentro da porta de nossa casa, sair em cada manhã significa deixar o conforto do nosso lar e embrenharmo-nos no mundo exterior, na realidade social, ou profissional da nossa vida: saímos para a escola, para brincar com os amigos, para namorar, para trabalhar, para ir ao ginásio ou ao futebol…
Quando estamos do lado de fora da porta de nossa casa e inserimos a chave na fechadura, no final do dia, cansados, exaustos, mas seguramente felizes por voltar, deixamos para trás toda a agitação e todo o burburinho da rua e chegamos ao nosso refúgio, à nossa família, ao nosso porto de abrigo…
É assim a porta da nossa casa…
Luís Filipe M. Anjos
Leiria, novembro de 2025


