Vivências - Eu ainda sou do tempo...

Eu ainda sou do tempo…
Eu sou do tempo da televisão por cabo e do vídeo-on-demand, mas também sou do tempo em que em Chaves a RTP 2 ainda não chegava a todas as casas…
Eu sou do tempo dos telemóveis e dos smartphones, mas também sou do tempo dos telefones fixos com um disco com buracos numerados de 0 a 9 que se rodava para marcar o número de destino pretendido… e sou do tempo dos postos públicos nas aldeias, das cabines telefónicas de moedas e dos credifones…
Eu sou do tempo da Internet e dos downloads de tudo e mais alguma coisa, mas também sou do tempo dos computadores Amstrad com 512 KB de memória RAM e dois drives para disquetes de 5”1/4…
Eu sou do tempo das apresentações em Powerpoint, dos ficheiros pdf e das plataformas de E-Learning, mas também sou do tempo dos quadros de giz e das aulas dadas com acetatos sobre o retroprojetor que o professor tapava com uma folha branca que ia deslizando, ponto por ponto, à medida que avançava na explicação…
Eu sou do tempo das fotocópias a cores à velocidade de centenas de páginas por minuto, mas também sou do tempo dos duplicadores a álcool que funcionavam literalmente à manivela, com matrizes em papel stencil, e cujas cópias nos chegavam às mãos ainda a cheirar a álcool e com aquela característica cor azul clara…
Eu sou do tempo da A24 que nos leva a Viseu em pouco mais de uma hora e meia, mas também sou do tempo em que se demoravam três horas para fazer o mesmo trajeto, passando por todas as vilas e aldeias até lá…
Eu sou do tempo das Playstation’s e dos jogos online, mas também sou do tempo em que se brincava na rua, no jardim ou num qualquer descampado perto de casa…
Eu sou do tempo dos SMS’s, do Skype e do Facebook, mas também sou do tempo em que se escreviam cartas e postais para contactar com os amigos e familiares e em que qualquer encontro, reunião ou atividade se combinava facilmente com dezenas de pessoas e semanas de antecedência sem qualquer um destes meios…
Eu sou do tempo de tudo isto… Não é incrível como o mundo mudou tão depressa em tão poucos anos?
Luís dos Anjos


