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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Vivências - “Geração Heidi” versus “Geração Qualquer Coisa”

13.07.18 | Fer.Ribeiro

vivenvias

 

“Geração Heidi” versus “Geração Qualquer Coisa”

 

Há quase 50 anos nasceu aquela que é frequentemente apelidada de “Geração Heidi”. Os rapazes tinham nomes tradicionais, chamavam-se João, António, Carlos, Manuel ou Luís, enquanto as raparigas respondiam quase todas pelos nomes de Ana, Rita, Filipa ou Sofia. Esta geração jogava às escondidas e ao pião, os rapazes improvisavam duas balizas e faziam um jogo tipo “muda aos 5 e acaba aos 10”; os mais atrevidos esfolavam os joelhos a saltar os muros da aldeia, enquanto as raparigas brincavam aos elásticos ou à macaca. Todas as manhãs tomavam um pequeno-almoço a sério: uma taça de café com leite e uma carcaça com manteiga, marmelada ou doce de morango. Na televisão deliciavam-se com a Heidi e o Marco, a Abelha Maia, a Candy Candy, o Timtim e os Marretas. Quando cresceram mais um pouco passaram a ver Uma casa na pradaria e o Bonanza. No início do ano letivo compravam os livros escolares e encapavam-nos cuidadosamente para poderem servir para o irmão ou primo mais novo; na papelaria mais próxima compravam o material escolar para o ano inteiro: uma caneta, um lápis, uma régua, uma borracha, uma afia e uma caixa de marcadores.

 

A “Geração Qualquer Coisa” (porque ainda não sabemos que nome lhe dar) frequenta neste momento a escolaridade obrigatória. Ao contrário dos seus pais, têm nomes muito mais originais: Tiago, Bernardo, André ou Fábio, para os rapazes, e Cátia, Vanessa ou Inês para as raparigas. Passam a infância e a adolescência sem aprenderem a maioria dos jogos de antigamente. Muitos deles crescem praticamente sozinhos em casa, entre a televisão, o computador e o tablet. Ao pequeno-almoço experimentam todas as variedades de flocos possíveis, assim como snacks e pãezinhos recheados com chocolate e outras coisas do género... Em Setembro, no início do ano letivo, invadem os corredores dos hipermercados e compram tudo o que vêem: mochilas com rodinhas, canetas sofisticadíssimas, borrachas coloridas e com cheiros...

 

Como são diferentes os jovens de agora...

 

Luís dos Anjos