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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Vivências - Os Escudos, os "contos" e os "paus"

13.01.17 | Fer.Ribeiro

vivenvias

 

Os Escudos, os “contos” e os “paus”

 

1 de janeiro de 2002. O Euro chega para substituir o Escudo. As máquinas dos Multibancos começam a dispensar apenas notas de Euros e os Escudos vão sendo retidos sempre que vamos às compras e entregues nos bancos.  Hoje, passados 15 anos, parece-me que já poucos são aqueles que ainda pensam ou fazem contas em Escudos: os mais novos porque não têm memória de outra moeda e nós porque, inevitavelmente, acabámos por nos habituar e já nem quase nos lembramos que um Euro equivalia a 200,482 Escudos.

 

Perdemos, assim, uma moeda só nossa, como o atestavam os elementos referentes à nossa história nas suas faces. Mas, na verdade, não perdemos apenas o Escudo. Perdemos também os “contos” e os “paus”, pois na linguagem corrente tínhamos 3 unidades de moeda: o Escudo, a designação oficial; os “contos”, quando se queria designar uma quantia normalmente a partir dos dois mil Escudos (dizíamos 1999$00, mas depois eram dois “contos”); e os “paus”, termo mais popular e que se utilizava principalmente quando se queria realçar que determinada compra tinha sido cara (isto custou-me 500 “paus”…). Hoje só falamos em Euros e, vá-se lá saber porquê, parece que o valor das coisas passou a ser menor: um Euro é (apenas) um Euro, mas duzentos “paus” era muito dinheiro…

 

Com a chegada do Euro acabou-se a necessidade de cambiar moeda (ou “trocar”, como se dizia habitualmente). Pessoalmente, foram poucos as vezes em que tive de “trocar” Pesetas e na última vez que o fiz, para uma viagem a Sevilha, no verão de 2001, recordo-me de no regresso parar num posto de combustível, antes de chegar à fonteira, juntar todos os trocos que tinha e pedir ao funcionário para encher o depósito até àquele valor, pois já não ia voltar a Espanha no tempo das Pesetas.

 

Curiosamente, por saudade, por fazerem parte de coleções, por estarem perdidos ou ainda esquecidos debaixo de algum colchão, existem milhões de Escudos que nunca foram trocados pela nova moeda. Uma verdadeira fortuna...

 

Luís dos Anjos