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CHAVES

Olhares sobre a cidade de Chaves

Vivências - Uma viagem de comboio

09.06.16 | Fer.Ribeiro

vivenvias

 

Uma viagem de comboio

 

Agosto de 2009. Fornos de Algodres. Distrito da Guarda. Domingo. 17h07. Lentamente, o comboio que me vai levar até Leiria inicia a sua marcha. Passaram-se já vários anos desde a minha última viagem de comboio. E, verdade seja dita, também nunca fui um grande viajante neste meio de transporte, não pelo facto de não gostar, mas simplesmente porque as oportunidades não surgiram.

 

Na década de 1980 fui até às Pedras Salgadas, numa agradável viagem na Linha do Corgo. Anos mais tarde, nos tempos da faculdade, aventurei-me por duas vezes numa viagem Porto-Vila Real, primeiro acompanhando a belíssima paisagem do Rio Douro, até à Régua, e depois, já na via estreita, subindo em curvas intermináveis por entre socalcos de vinhas até Vila Real. E como nessa altura o troço até Chaves há muito que já havia encerrado, ainda me restou mais uma hora de autocarro. Depois dessa época talvez tenha feito mais uma ou outra viagem sem particular significado.

 

18h20. Estação de Santa Comba Dão. A paisagem agreste de fragas e giestas do início da viagem foi mudando e deu lugar ao verde da floresta e aos campos cultivados. Também o povoamento é agora menos disperso; vêem-se mais casas, mais vida… Sentimos que deixamos a pouco e pouco o interior e caminhamos para o litoral. A viagem segue. Passamos pelo Buçaco, Pampilhosa e chegamos a Coimbra-B. É altura de mudar de comboio. Cruzamos o rio em direção a Oeste e novamente a paisagem se altera. À nossa volta estendem-se vastos arrozais irrigados pelas águas do Mondego que se prolongam por toda esta veiga até à Figueira da Foz. Vamos fletindo para Sul e começam a surgir extensas áreas de pinhal.

 

20h22. Estação de Leiria. Viajar de comboio é uma experiência diferente de viajar de carro, ou até mesmo de autocarro. Passei por lugares e apeadeiros cujos nomes nem sabia que existiam, longe das principais estradas que aparecem nos mapas, reparei em pormenores diferentes e apreciei esta viagem de outra forma. E como não tive de vir atento à estrada ainda tive tempo para escrever…

 

Luís dos Anjos